edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 29.7.06

Um ano depois qual é o balanço que se pode fazer do zedemello.blogspot.com?
O blogue deste Velho Conselheiro nasceu de ouvir nas ruas de Elvas e em conversas de café as opiniões que rodeavam a auto-denominação do parque subterrâneo, e que fizeram com que houvesse a necessidade de publicitar as ideias não alinhadas com as que brotavam do Palácio do Regedor.
Passado um ano o tema que fez nascer este blogue volta à agenda e os comentários entre elvenses não mudaram muito dos daquela época, o que nos faz pensar que a razão da existência do blogue continua actual. Ao longo deste ano houve muitos temas aqui tratados, mas permitam-me que destaque os Prémios Zé de Mello’05 e a série de entrevistas mensais que nos propossemos fazer durante 2006, “na primeira pessoa”, agradecendo uma vez mais a Claúdio Ramos, António Abernú, Amadeu Lopes Sabino, Marco Painho , Cristina Eusébio e Aldina Amador a sua colaboração.
Um blog de intervenção. É assim que podemos apelidar este espaço de denúncia?
De intervenção é-o claramente pois é esse o principal objectivo da existência do blogue. Intervir opinando quando isto ou aquilo está mal, ou poderia sair melhor (olhemos o ainda “mamarracho” do elevador do dito parque subterrâneo. Seguindo o pensamento oficial do Palácio do Regedor, o nome deve ser de quem o constrói, apelidemo-lo então de “Mamarracho José A. Rondão Almeida”) ou ainda quando apenas temos opinião diferente, usando este espaço de liberdade para o expressar quer seja o Zé de Mello ou qualquer outro cidadão, para isso existe o correio electrónico sempre ao dispor dos elvenses .
"Aquilo que hoje se projecte irá definir a Nova Elvas,
a cidade do século XXI"

Quem visite o blog Zé de Mello vê um homem preocupado com a sua cidade e o seu concelho. Alguém que quer ver a sua terra avançar para um futuro positivo. Como caracteriza Elvas, neste momento, dado tudo o que tem acontecido neste ano? Parece-lhe que é uma terra em que a esperança pode continuar a existir ou, antes pelo contrário, aos poucos esta vai ser a porta de entrada de Portugal cada vez mais desprovida de estruturas, de pessoas e de valores?
O Zé de Mello é um optimista e idealista. Os tempos presentes são de grande revolução estrutural para a Cidade de Elvas sendo necessário um grande dinamismo empresarial para saber aproveitar as novas oportunidades que se adivinham no futuro. O papel do Palácio do Regedor terá obviamente um peso importante no futuro do burgo. Aquilo que hoje se projecte irá definir a Nova Elvas, a cidade do século XXI.
“Todos somos Elvas” é uma das suas frases mais habituais. Sente que a população da cidade vive esta frase verdadeiramente?
Penso que sim. Apesar do distanciamento entre os políticos e eleitores, em Elvas essa relação é menor. A grande amizade que os elvenses sentem pelo seu Regedor reflectem isso mesmo. Em sentido restrito esta frase quer reflectir uma democracia mais alargada, pois todas as opiniões devem ser tidas em conta na altura da decisão, mas em sentido mais lato Elvas são os seus moradores, nascidos ou não entre as suas muralhas e os que desde fora a sentem como uma cidade com grandes potencialidades e a continuam a acarinhar.
Ultimamente "encerrar" parece ser a palavra de ordem de Elvas. Como vê o futuro desta terra? (pergunta enviada pela Conselheira Xanu)

Aquilo que me parece é que há muito se vislumbrava que a Cidade de Elvas não podia continuar sendo a Elvas do século XIX, era, e continua a ser urgente, traçar para a Nova Elvas uma linha directiva forte e baseada em várias vertentes devolvendo-lhe o valor regional que esta já teve. A Plataforma do Caia é uma vertente mas não se deve basear apenas nela o desenvolvimento do burgo.

Acredita que a Plataforma Logística poderá, como a autarquia afirma, ser a tábua de salvação para o Concelho? (pergunta enviada pela Conselheira Xanu)

É uma oportunidade de ouro para o futuro do Concelho. Contudo, como já se disse anteriormente no blogue, falta a aposta de formação de profissionais e técnicos para aí exercerem. Nem a Universidade de Évora, nem o Instituto Politécnico de Portalegre nem mesmo a EPRAL ainda vislumbraram que aí fazem falta braços e cabeças e que estes necessitam de formação. O que vai acontecer? Que os operários de baixa formação serão portugueses com ordenados "à portuguesa" enquanto os quadros serão espanhóis. Há que alertar os estabelecimentos de ensino para esta nova realidade que ai vem.

O turismo poderá ser a base para o futuro desta cidade? (pergunta enviada pela Conselheira Xanu)

Passa evidentemente também por aí. Mas nesse assunto o Palácio do Regedor está na estaca zero. Apesar de existir uma Técnica Superior nos quadros (que neste momento não exerce) não se tem promovido nem trabalhado na organização, promoção e acolhimento ao turista e visitante. Primeiro por estarmos orgulhosamente sós e agora prisioneiros duma moribunda Região de Turismo que nada tem feito por Elvas, apesar desta ser responsável por grande parte do seu orçamento.

"Não existe em Elvas suficiente cultura democrática"

Ainda que não possa revelar a sua identidade, como é a sua relação com a sua cidade? Sente-se mais elvense a cada dia que passa?

Dos muitos blogues portugueses que conheço podemos contar com uma mão aqueles que se dedicam em exclusivo a um tema e o blogue deste Velho Conselheiro é exclusivamente sobre Elvas. Esse facto faz com que a relação entre o Zé de Mello e Elvas se tenha enraizado cada vez mais, esperando que a reciprocidade seja a mesma. Hoje em dia este Velho Conselheiro pelo que já viveu durante este ano fá-lo ser cada dia mais Elvense, Regionalista e Ibérico. O futuro vai provar que ser Elvense vai significar também ser transfronteiriço, e, com a regionalização, Elvas terá que se afirmar ao mesmo tempo no Alentejo e na Extremadura Espanhola.
É possível demarcar uma fronteira sobre Elvas antes e depois do Zedemello.blogspot.com?
Apesar de não ser essa a intenção do Zé de Mello seria contudo muito cedo para se fazer essa consideração, tendo em conta que as visitas diárias ao blogue rondam uma média de 72 entradas, que é um número insignificante. Contudo é com algum orgulho que somos referenciados em alguns metablogues como o blogue de referência de Elvas. Na blogosfera nacional Elvas já é sinónimo de zedemello.blogspot.com.
O facto de não poder revelar a sua identidade acaba por ter a sua graça. São muitos os que perguntam quem é o Zé de Mello. Muitos acham que alguém de dentro da Câmara, outros acreditam que o Zé de Mello é mais do que uma pessoa. Tudo isto cria um clima misterioso, quase como que um “Zorro” defendendo os cidadãos. Sente-se um Super-Herói?
(Risos) De forma alguma. Quanto muito o eco de alguma consciência colectiva da cidade virtualizado na figura do Zé de Mello.
Agora mais a sério. O não revelar a sua identidade prende-se com o que? Com o simples facto de se tornar mais fácil para si movimentar-se nos meandros da cidade, políticos, sociais, desportivos, recolhendo as informações que precisa, ou é um verdadeiro receio pela repressão de que poderia ser alvo?
Com uma existência virtual o Zé de Mello trabalha sobretudo sobre aquilo que existe na Internet. A informação chega primordialmente pelo computador quer seja pelas rádios, jornais ou portais. Veja-se o exemplo do Jornal “O Despertador” que sendo um periódico elvense sem sitio electrónico na prática não existe como fonte de informação para o Zé de Mello.
Quanto à repressão penso que essa palavra morreu a 25 de Abril de 1974, mas existem concerteza outras formas de silenciar as vozes destoantes.

Apareceu há um ano e desde essa altura tem mantido em segredo a sua identidade. Porquê? Para tornar mais "animado" ou por receio de sofrer represálias? (pergunta enviada pela Conselheira Xanu)

Nunca o Zé de Mello imaginou que esta brincadeira se tornasse num assunto tão sério. Pensar em abandonar esta personagem virtual é impossível, pelo menos por agora. Se se soubesse quem manipula o Zé de Mello concerteza haveria represálias. Não existe em Elvas suficiente cultura democrática.

Se não fosse o Zé de Mello, quem pensaria que seria o Zé de Mello? (Esta é mesmo escusada, eu sei, mas não perco nada em tentar. Ah ah ah!!!)
Ao longo deste ano já deram diversas identidades ao Zé de Mello. O que espero é que por esse motivo os vários “pseudo Zés” não tenham recebido qualquer pressão pessoal ou profissional.

Não lhe vou perguntar quem é, esta é até a minha pergunta mais básica, mas o zedemello.blogspot.com é mais do que uma pessoa?

Nunca se sabe! o Zé de Mello é na realidade aquilo que o povo quiser imaginar que é!

"Não somos oposição ao Regedor!"

O blog zedemello.blogspot.com é um blog com uma regularidade impressionante. É quase um periódico dentro da blogosfera. Isso deve tormar-lhe muito tempo. Partindo do principio que tem uma profissão extra-internet, como consegue manter a actualidade do blog, sempre tão informativa/acusativa/formativa?

Disciplina. Ouvir pelo menos uma vez por dia os noticiários radiofónicos da RRElvas e da Radio Elvas, ler a edição online do Linhas de Elvas e consultar o TudoBen.com e o Sitio Electrónico do Palácio do Regedor. Em média são 30 minutos diários de investimento no blogue mais 1 hora aos fins-de-semana.

Podemos considerar o Zé de Mello um diplomata? Digo isto porque foi sempre alguém que tendo que o fazer apontou o dedo ao que estava mal. Mas também já o vimos a apontar o que está bem feito. Isto será uma protecção para o dia em que decidir dar a cara?
De forma alguma. O Zé de Mello não é um “velho do Restelo” e quando alguma coisa está na verdade feita de forma que lhe parece correcta dá a mão à palmatória e congratula-se com o facto. Não somos oposição ao Regedor! Somos oposição aquilo que se faz encima do joelho sem visão de futuro ou que simplesmente não concordamos. A isso chama-se democracia. Inclusive num dos assuntos que marcou a agenda deste ano começámos por defender intransigentemente a manutenção da Maternidade elvense mas com o evoluir da discussão percebemos que nas condições actuais mantê-la seria atentar contra a vida das mães e seus filhos.
Qual é o sentimento que considera que o executivo da Câmara Municipal tem por si, passado um ano sobre o nascimento do Zé de Mello?
Na verdade não interessa. O Zé de Mello acordou do seu sono para exteriorizar o pensamento de parte da sociedade elvense e não para ser oposição ao Regedor. Contudo sabe este Velho Conselheiro que é lido assiduamente no Palácio e por quem nele tem funções decisórias.
Dê-me a sua opinião, sem diplomacia, mas com toda a sinceridade que puder:
a) Sobre o Presidente da Câmara, Rondão Almeida – um politico que soube aproveitar os dinheiros da Europa para dotar a sua cidade de infra-estruturas. Um homem do povo que trabalha, na sua óptica, para o povo. Tiro-lhe o chapéu porque durante anos conseguiu que a cidade fosse o exemplo de progresso para o Alentejo. O que receamos é que nesta altura não saiba mudar a agulha e ver que o comboio tem que tomar outra via.
b) Sobre o Executivo da Câmara Municipal de Elvas – uma orquestra que vai tocando porque tem um bom maestro.
c) Sobre a oposição ao Executivo da Câmara Municipal de Elvas – oca, cómica e sem um projecto alternativo. O modelo actual de funcionamento dos órgãos autárquicos terá que ser alterada, dando dignidade à Assembleia, onde se deve fazer a oposição e deixando constituir apenas à força maioritária o executivo.
d) Sobre o trabalho das instituições de qualquer cariz, em Elvas – um dos problemas das pequenas cidades é a falta de apoios vivendo no vício da sobrevivência à sombra do Palácio do Regedor. A única instituição que saiu desse abrigo foi o Movimento pró - maternidade, que logo foi apelidado de oposicionista. Penso que neste momento será esse um dos principais problemas da cidade, a falta de cultura democrática, que tenderá a esvaziar as colectividades, tradicionais núcleos dessa pratica.
e) Sobre os Elvenses enquanto povo – sempre foram um povo de luta moldado pelo perfil do burgo que nos últimos anos evoluiu para uma visão mais aberta e que espero na próxima geração seja mais universalista e menos conservadora.
f) Sobre o Zé de Mello – uma mistura de Quixote e Sancho Pança.
Outra das áreas a que se dedica muito é à história da cidade e do Concelho. Parece-lhe que conhecer o passado pode trazer um futuro melhor a esta cidade?
Se olharmos para o tecido empresarial da cidade e para o futuro este passa por duas vertentes que estão contempladas no projecto de cidade que o Regedor apostou para Elvas: a logística, com a construção na zona do Caia das infra-estruturas necessárias a colocar Elvas nas rotas económicas da Península; e o turismo de base cultural apostando na riqueza patrimonial do centro histórico que só poderão ser usufruídas e preservadas se houver o seu conhecimento.
O que pensa dos “conselheiros” que, habitualmente dão a opinião nos seus posts? O anonimato parece servir para se ser construtivo e nada construtivo. Parece-lhe que há comentários que seriam escusados?
O blogue quer-se aberto a todos, pois da discussão de ideias contrárias nasce a luz e o consenso, o qual poderá traduzir-se na evolução pessoal e colectiva. O Zé de Mello não se pronuncia sobre a validade dos comentários, apenas poderá contestar a sua idiossincrasia. Alias, apenas em duas situações tivemos que apagar algum comentário anónimo que explicitamente ofendia gratuitamente terceiros sem contribuir para a discussão dos éditos.
Já teve a tentação, em alguma altura, de ser mais rude com algum “conselheiro”?
Se alguma vez tive essa tentação ou cometi esse erro, rapidamente me lembrei que Todos Somos Elvas e que todos contamos para a construção da cidade.
Parece-lhe que muitos dos comentários no seu blog são feitos por cidadãos comuns ou por gente dentro das instituições e com responsabilidades maiores? Falo dos anónimos, claro.
Há de tudo para todos os gostos. É essa também uma das receitas que tem feito deste blogue um espaço de discussão e democracia. Quando o blogue nasceu existia um blogue da Juventude Socialista elvense, que desapareceu mais ou menos nessa época. Ao contrário do que se passa noutras cidades, vilas ou aldeias aqui não existem blogues ou páginas electrónicas das concelhias partidárias. Para o Zé de Mello a sua existência seria uma mais valia, bem como a continuada existência de mais blogues aqui sedeados.
Entrevista conduzida por Pedro Gama

4 comentários:

rosamaria disse...

PARABENS
AO PEDRO GAMA, pela entrevista,pela forma como a conduziu e tambem pela conquista...à Xanu também.
Ao SR,ZÉ DE MELLO. bom Um Senhor que merece um reverência não só, pela sua formação, mas tambem pela forma inteligente como escolhe os temas e os coloca em discução. Continuação, de bom ânimo e vamos ter esperança...depois da tempestade vem sempre um belodia de SOL....

Anónimo disse...

Boa entrevista da treta Sr Porfirio, continue.

Anónimo disse...

estou a participar pela 1ª vez no debate, não conhecia o blogue talvez por não me identeficar muito com as novas tecnologias.
gostei da sua entrevista sr Zé de Mello,e a unica indentificação possivel é que é do sexo masculino e um democrata e ser democrata,como muito bem disse é aceitar que os outros tenham opinião ainda que diferente da nossa.
o estimular a vida da cidade e o permanente debate interno é o unico caminho que pode garantir um posiocinamento não fragilizado e agressivo perante uma sociedade cada vez mais competitiva e exigente,pois daquele deveria depender a orientação nas opções a tomar pelos orgãos autarquicos e pelas forças vivas da cidade.
Manter o atual estado de dependencia paternalista numa atitude perguiçosa de esperar que apareçam super lideres para salvar Elvas da crise É CONDENAR O SUCESSO,É MATAR A EMERGENCIA DE NOVAS IDEIAS E DE NOVOS PARTICIPANTES NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO.PARA A SEMANA HÁ MAIS- ASSINA- MOCADA

Anónimo disse...

É deselegante o próprio dar entevista no seu blog. Podemos chamar a isto massajar o ego. Temos no nosso concelho figuras tão ilustres e dou-lhe dois exemplos: o poeta José Guerra e o escritor e jornalista Joaquim Maneta Alhinho(agora como cronista do tudoben). Estes senhores têm diginificado Vila Boim - Elvas. Era urgente darem destaque a estes conterrâneos que são a força viva literária de um povo alentejano que sofreu muito.

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