edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 21.2.06
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Caro Regedor,
Hoje venho dirigir-me a V. Exa. através duma Carta Aberta, no dia em que se celebra a Sessão de Esclarecimento sobre os assuntos que perturbam a população nos últimos tempos (Regimento e Saúde).
Como V. Exa. bem sabe tem sido um dos mais visados por este meu blogue, como é natural, sendo como é o responsável máximo pelos caminhos que o Concelho de Elvas vai tomando.
Durante o período eleitoral deu-se igual destaque a todas as forças politicas concorrentes aos orgãos municipais, numa demonstração de respeito idêntico por todos.
Contudo, nestes últimos meses, a actuação das forças politicas na oposição, quer no Executivo quer na Assembleia, tem sido vaga pelo que mais ainda este Velho Conselheiro se sente na obrigação moral de questionar algumas das medidas tomadas, mas sempre respeitando-as pois traduzem a vontade da maioria expressa nas urnas.
Quanto aos assuntos que hoje, e apenas hoje, se propõe esclarecer pecam por tardios em alguns casos, pois as decisões já estão tomadas, enquanto a população confiava.
Segundo me contam, Elvas foi idolatrada e invejada por todas as localidades do Alentejo (Évora incluída), que viram como esta cidade raiana soube aproveitar todos os recursos financeiros comunitários para lavar o rosto e preparar-se para o sec. XXI. O que lhe pergunto Sr. Regedor é, como chegamos a este ponto em que tudo o que eram serviços parecem estar em extinção? Como vamos convencer os empresários a fixarem-se numa cidade que começa a definhar? Que atractividade terá a cidade para chamar nova população aquando da construção da Plataforma Intermodal?
Espero as suas respostas nesta sessão, sem populismos e apresentando medidas concretas e imediatas para contrariarmos esta situação.
Pode contar com este Velho Conselheiro para fazer de Elvas uma cidade de futuro!
Bem Haja!

8 comentários:

Xanu disse...

"Espero as suas respostas nesta sessão, sem populismos e apresentando medidas concretas e imediatas para contrariarmos esta situação."
Sem populismo? Duvido!

Lupor disse...

sem populismos?
não acredito

Gil Navalha disse...

Com ou sem populismos é a oportunidade de ouvir os porques e talvez, se nos deixarem, questiona-lo!

Eu vou!
Rock in rio! e Sessão esclarecimento!

Ao longe... disse...

Fico a aguardar pelo resultados desta sessão de esclarecimento...à qual não poderei ir por me encontrar «Ao longe...» mas conto com o resumo alargado do estimado conselheiro Zé de Mello e seus associados. Mas o populismo é certo. Certas índoles, por muito que gostassem, não podem dar mais do que aquilo que há 12 anos a esta parte têm dado e demonstrado.

Anónimo disse...

Oh zé estas tao convencido q o rondão t lê! O homem tem mais q fazer do q perder tempo contg!
Abre os olhos e vai para onde vieste!

Anónimo disse...

Em lugar de estar a fingir que está a escrever ao presidente valia mais que lhe dissesse isso na cara e ajudasse assim a resolver os problemas.

Fitas Custósio disse...

Pela sua actualidade envio este excelente artigo escrito em Novembro de 2001 e que vale a pena meditar. Como podem ler há muito mais para além do voto.







Desertores da política?


Francesco Conte



A pior mentira é aquele que contamos a nós mesmos. Quantas vezes nos flagramos, distantes da razão, tentando nos inseminar a idéia de que o sufrágio universal basta ao regime democrático? Quando nos convencemos de que o voto, embora importante conquista civil, é suficiente à democracia, é porque já não tivemos coragem para resistir à tentação do mito. Um engano a mais. O sufrágio universal é um método eleitoral, consubstancia um expediente formal da democracia, mas, visto com olhos de ver, não é a sua essência. O voto é o ponto de partida, e não o de chegada, do caminho a ser percorrido.
A sociedade almeja mais, quer a democracia real, que, por sua vez, precisa de instituições fortes, duradouras, eficientes e confiáveis. Instituições de Estado conciliadas com o princípio da soberania popular e comprometidas com a prestação de serviços de qualidade. Na democracia real, o cidadão é educado para a liberdade, não para a ilusão.

Somente o compromisso radical com a educação, priorizando-se investimentos financeiros maciços nesse setor, pavimentará o acesso à democracia substancial. A educação do povo, a politização da sociedade e a conscientização do cidadão são as três filhas da democracia real. O costume é o seu quarto filho. A democracia integral, vigorosa, não prescinde da participação ativa de cada indivíduo no poder, como sujeito da vida pública, inspirando e determinando as diretrizes políticas do governo. A democracia não pode ficar no céu da abstração, prisioneira de modelos teóricos, nos artigos da Constituição: deve, antes, enraizar-se no costume do povo, plasmando, no cotidiano, a sua consciência constitucional. Ou se tem um costume democrático ou não se tem nada, nem democracia tampouco Constituição válida e efetiva.

Vê-se, hodiernamente, a silenciosa multidão dos indiferentes, fascinada pelo fenômeno do absenteísmo, que, fruto da desilusão e do distanciamento asséptico de políticos corruptos travestidos de paladinos da moralidade pública, se revela na indiferença diante dos grandes temas, renunciando a toda atividade política, com partido ou sem partido. É, mais que um erro crasso, uma insensatez orgulhar-se da própria apoliticidade, descansando à sombra do tecnicismo. Lavar as mãos nas águas da apatia talvez não nos ajude na superação do absenteísmo, mas, certamente, nos condenará à condição de menoridade política.

Devemos depurar a política - como ideologia do espetáculo e tradicional vertente de corrupção e de impunidade - para, depois da regeneração e capilarização do poder político, transformá-lo, alicerçado em novos fundamentos jurídico-filosóficos, em eficaz instrumento de justiça social e de justa sociedade.

Como o fermento da esperança, devem integrar a agenda de cada cidadão cônscio de suas responsabilidades públicas a reorganização das forças políticas populares, a labareda idealista e progressista dos movimentos sociais, o confronto entre programas políticos e plataformas de governo, e as imprescindíveis questões sociais, como a educação, a geração de empregos, o combate à pobreza, a redistribuição equânime de renda e a inadiável reforma agrária. Os temas econômicos, como as taxas de crescimento e de inflação, e a irreversível globalização, figuram na pauta, assim igualmente a séria discussão jurídica da dívida externa - a nova forma de escravidão do século 21 -, inclusive no contexto dos direitos humanos, mormente o da supremacia do direito à vida, e dos direitos dos povos, sobretudo no ângulo do direito ao desenvolvimento e da autodeterminação.

É imperiosa a reconstrução vigorosa das instituições de Estado, com a reformulação do sistema de defesa do interesse público. Eis aí o retorno ao campo político, para consolidar, no povo, o costume democrático e impregnar, nos indivíduos, o próprio valor da liberdade, capaz de garantir a democratização da sociedade. Precisamos prosseguir. Não somos desertores da política.

Francesco Conte é procurador-geral do Estado do Rio de Janeiro.

Anónimo disse...

Oh Zé

Eu até acredito que o Regedor não leia, ah! mas que manda ler manda e de caminho ainda manda "botar" aqui uns posts para ver se o pessoal baixa "a guarda "

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