edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 22.8.05
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Bem perto do meu pouso secular descobri no outro dia uma verdadeira jóia da memória local.
Estou a falar-vos do denominado Cemitério dos Ingleses, espaço que segundo me foi dado a conhecer pelo seu guardião e cuidador é pertença dos cidadãos subditos de Sua Magestade britânica residentes no concelho.
Desengane-se quem julga que estou a falar dum lugar tenebroso. Este Cemitério é um jardim dedicado a todos os militares que cairam neste episódio bélico da Batalha de Albuera a 16 de Maio de 1811, e que juntou os exercitos espanhóis, portugueses e ingleses, comandados pelo Marechal Beresford frente aos franceses de Guinot.
É um espaço bem recuperado, verdejante, convidando a descansar as pernas nos seus bancos, entre a molduras das canhoneiras seiscentistas, conhecendo assim um pouco da história patria.
Também me foi relatado que estes senhores estrangeiros querem agora recuperar a Capela de S. João, vulgo S. Joãozinho, junto ao cemitério.
Meus caros co-Conselheiros e visitantes deste espaço electrónico, que bofetada de civismo nos deixam estes britânicos! Não devemos nós seguir-lhes o exemplo? Porque esperar que tudo seja feito pela edilidade e pelo governo da pátria?!
Proponho eu que nós juntemos e construamos também nesta zona o Jardim dos Nossos Escritores. Aproveitando a devolução ao usufruto da esplanada abaixo deste cemitério, espaço que foi até pouco tempo um quintal/horta particular e encontra-se agora num estado lastimoso cheio de ervas e abandonado. Localizado detrás da Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, pode ser o local para recordarmos Ramalho Ortigão, António Sardinha, António Thomaz Pires, Franscisco Rasquilha...
O primeiro passo já o tomámos, estamos a discutir a sua realização falta pois projecta-lo e sobretudo construi-lo. Fica aberta a discussão!
P.S. - Ainda existe mais uma esplanada abaixo desta que continua a ser horto particular!

4 comentários:

Rui Jesuino disse...

Uma boa ideia ainda que dificil de concretizar. Esses "jardins" abandonados são privados e possivelmente terão mais que um dono devido a heranças, facto que os torna dificeis de negociar. Há no entanto um pequeno revelim da muralha na zona mais abaixo que serviria para o fim que desejou e que se encontra ao abandono.
O caso da capela de São João da Corujeira é gravíssimo. Trata-se de uma pequena igreja que, pasme-se, foi arrendada a um senhor empreiteiro que faz dela um armazém, o que tem ajudado bastante à sua degradação. Os Amigos do Cemitério dos Ingleses querem ajudar a restaurá-la, mas é algo bastante caro e complicado.

Xanu disse...

Quando eu era criança brinquei muitas vezes no jardim dos ingleses que na altura se encontrava bem menos arranjado que hoje. Conheço bem a zona e a Igreja de S. Joãozinho ( era assim que a conhecia) já na altura estava degradada. Acho estranho esses espaços ocupados com hortas serem particulares quando ficam incluídos num espaço que faz parte das muralhas...mas quem sou eu para entender certas coisas?

Ze de Mello disse...

Meus Caros Co-Conselheiros, se são privados estes espaços que refiro, eles encontram-se sobre a muralha e ocupam penso eu espaço público e este a que me refiro esta devolvido e aberto a ser visitado, pois retiraram-lhe o portão!
Deverão ser espaços alugados ao Estado? ou tomados de assalto?

Rui Jesuino disse...

De facto a degradação da Igreja de São João da Corujeira já remonta há muito. A 9 de Fevereiro de 1840 um terramoto fez ruir metade da construção. No séc. XIX foi reconstruída, pouco ou nada restando da primitiva edificação. Em 1866 a imagem de São João Baptista foi transladada processionalmente para a igreja das Domínicas, depois do mesmo já ter acontecido às outras imagens. A igreja viu-se abandonada ao culto desde 1924 quando terminaram as festas de S. João em Elvas (celebravam-se no seu adro) e até hoje a sua construção vem-se arruinando.
Não conheço bem a situação dos "jardins" de que falámos. Penso somente serem utilizados (?) por privados por neles se observar alguns haveres destes. De todos os modos é uma situação a rever até porque o local é protegido por lei, pois as muralhas são classificadas como Monumento Nacional pelos Decretos n. 28 536, DG 66 de 22 Março 1938; Dec. n. 30 762, DG 225 de 26 Setembro 1940 e Dec. n. 37 077, DG 228 de 29 Setembro 1948.

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