edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 6.3.08



CARTA ABERTA




Caro blog,


Como cidadão Português compreendo e reclamo a necessidade de existirem regiões autónomas que dinamizem e descentralizem a nação com um todo. Contudo, as cinco regiões-plano não irão resolver ou ajudar o interior de Portugal. Acredito que com só mais uma região e com uma divisão diferente teremos muito mais a lucrar. Envio em anexo um mapa onde demonstro a minha proposta.




Primeiro ponto da minha visão é a necessidade de separar regiões interiores das regiões litorais. O modelo NUTS II poderá ser interessante mas acredito que não foi elaborado a pensar em aspectos estratégicos de desenvolvimento.




Segundo ponto, Lisboa e o Norte Litoral são zonas de grande desenvolvimento que na minha perspectiva devem se manter separadas de grandes regiões interiores. O Ribatejo anexado a Lisboa desfavorece o desenvolvimento de toda esta região "tradicional" assim como o norte da Estremadura. Os distrito de Lisboa e Setúbal devem constituir uma região. Contudo o Ribatejo e a região Oeste, incluindo os distritos de Santarém, Leiria e Coimbra, devem constituir uma outra região separada para seu beneficio.




Os distritos de Viana dos Castelo, Braga, Porto, e Aveiro formam a Região Norte Litoral uma região desenvolvida e com interesses partilhados.A grande região interior constituir-se-ia dos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda e Castelo Branco com Viseu como capital. Esta vasta região partilha os mesmos problemas e nesta divisão, não estando posta em segundo lugar por um litoral dominante, encontraria nesta união uma estratégia comum e partilhada de desenvolvimento mais próxima das suas especificidades.




Na minha proposta eu retiro do Alentejo o litoral e aumento o Algarve a norte, primeiro devido à estratégia litoral-interior e segundo diminuindo a região mais pobre do país.




O mapa tem por base dois pensamentos chaves que frisarei aqui, independência estratégica interior do litoral e de vastas regiões longe das grandes áreas metropolitanas.




Outro ponto secundário mas que acho importante, chamar as ditas regiões de norte, sul, etc. não lhes dá identidade, um valor importante em termos turísticos. Por esta razão dei à região Norte Litoral o nome Portugalisa (por razões históricas e estratégicas de aliança e colaboração com a Galiza); à Grande Região Interior dei-lhe o nome de Lusitânia considerando que estas regiões mas facilmente adoptariam o seu novo nome; a Região Oeste, Coimbra e Ribatejo chamei de Tejo Oeste para conseguir o mesmo efeito que o anterior; à Região de Lisboa chamei de Ulisseia mantendo a relatividade a Lisboa mas dando espaço a um sentimento de identidade do todo regional; as outras regiões mantêm o seu nome tradicional.




Acho que se formos para a frente com o modelo NUTS vastas regiões do país não serão beneficiadas. Os problemas do Interior persistirão.Sem mais assunto agradeço a atenção e só posso esperar que isto possa ser considerado e levar a uma reflexão.




Sinceramente,


Carlos Marques


6 comentários:

António Silva disse...

Regiões sim, para acabar com os distritos e diminuir o peso dos Serviços do Estado, racionalizando-os pela agregação regional.

Ainda não há calendário para implementação da desagregação nacional e já se adivinha a polémica pela marcação das novas fronteiras...

E o que fazer a concelhos que actualmente já estão no distrito errado?

Por exemplo Mação que fica no distrito de Santarém e se consideram Beiróes?

Ou os concelhos da Guarda considerados Alto Douro e como tal pertencendo a Trás-os-Montes e Alto Douro?

Espero que o dia da Regionalização esteja longe. O Estado tem o Défice para resolver e a Reforma da Administração Central e Autárquica para fazer!

Só quando o PS se vir à beira do abismo avançará para a regionalização(quem vier a seguir que feche a porta)!

Como se pode pensar em introduzir uma nova classe de funcionários quando o Estado tem as tremendas Cadeiras em atraso que são o Défice e a Reforma da Admonistração Central?

António Silva disse...

E porque não a divisão horizontal do País com acesso ao mar em todas as Regiões?

Eu compreendo o Autor, as assimetrias a corrigir são verticais, o interior e o litoral.

No entanto está-se para efeito de reetruturação da Admnistração a avançar noutro sentido.

Norte - Tras-os-Montes, Entre-Douro e Minho e Douro Litoral.

Centro - Beiras, interor e litoral.

Lisboa Vales do Tejo e parte do Sado, Ribatejo e Estremadura.

Alentejo

Finalmente Algarve.

Porque não adoptar este modelo de desagregação nacional?

A Verdade contra o Mundo disse...

Gostei do Antonio Silva quando fala na divisao transversal (genial) como quando diz desagregaçao nacional.
Francamente nao entendo que num país que nao é mais do que um chapéu de terra ainda alguns pensem na regionalizaçao!!! Seriam uns tachos mais para alguns e quanto a eficácia, nenhuma. Portugal está cada vez mais cinzentao e o povoléu cada vez mais castrado... meu Deus que se passa com o meu País????

A Verdade contra o Mundo disse...

nao resisto a escrever as palavras de Pedro Lomba, jurista, sobre a situaçao em Portugal.
Escreve ele: a obomania nacional faz parte da nossa historica dependencia de politicos salvadores. Mas admito tambem que há um lado mais serio no problema. Portugal é um país de cépticos que esperam um dia ser convertidos. E há toda uma geraçao de politicos que ou está velha e caduca, ou envelheceu depressa e pede substituçao.

A Verdade contra o Mundo disse...

ou entao o genial artigo de Antonio Pinto Leite que escreve:
Somos o desleixo e o perfeccionista, o baldas e o sacrificado, o calao e o dinamico, o irresponsavel e o que carrega o mundo às costas.
Somos o produtivo insatisfeito e o improdutivo radiante, o lutador incansavel e o preguiçoso cansado, o generoso de peito feito e o fingidor espertalao.
Nao somos de facto,um POvo homogeneo com uma cultura de responsabilidade consistente e com valores comuns face ao trabalho.

A Verdade contra o Mundo disse...

esqueci de referir que Pinto Leite escreveu o texto em 2002.... notaram os meus amigos alguma diferença????

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