edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 21.8.07
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Tempos houve em que cada povoação tinha as suas próprias festas e romarias. No Alto Alentejo, sobressaía entre todas a Feira de São Mateus, em Elvas. O São Mateus de Elvas era até meados do século passado, uma das maiores festividades que os campomaiorenses celebravam. Poupava-se durante meses para se pode ir até à Feira d’Elvas por volta de 20 de Setembro.
Só os mais pobres, por falta de recursos, e os que cumpriam resguardo por luto ou por doença, ficavam. As carroças partiam uns dias antes ajoujadas de gente, de galinhas, de cabazes de comidas e de doçarias confeccionadas para a ocasião. Quem mais depressa chegasse, melhor lugar podia escolher para acampar nos olivais em volta do parque em que estaria montada a feira. Quem não podia ir de carroça, em caravana, ia a pé. Uma manta chegava para aconchego. Quanto ao resto, desde que houvesse dinheiro para a pinga e para o petisco, já se passava a contento.
Armados os acampamentos, gozava-se do descanso, da boa comida, da alegre convivência que a ocasião propiciava. De dia dormia-se muito e até tarde, por força de alguns excessos de bebida e porque as noites se prolongavam até de madrugada.

As noites eram para a maioria destes romeiros o melhor que a festa propiciava. Formavam-se grandes bailes de roda animados pelo cantar e dançar das “saias”. Havia disputas assanhadas, muitas vezes entre grupos de terras diferentes. Surgiam a “modas novas”. Quadras engenhosamente elaboradas ao longo do ano encontravam ali o terreiro adequado para a sua pública exibição.
O Senhor da Piedade,
Tem vinte e quatro janelas;
Quem me dera ser pombinha,
Para pousar numa delas.

As festas do São Mateus,
São as festas da cidade;
Quem me dera andar bailando,
No Senhor da Piedade.

Feira d’Elvas, Feira d’Elvas,
Feira d’Elvas da cidade;
Quem me dera estar bailando,
No Senhor da Piedade.


Francisco Galego

4 comentários:

Anónimo disse...

VIVA O S. MATEUS! Pena o cartaz de espectáculos feito pelo Regedor e sua equipa não passe de uns bailes de paróquia. Talvez no ano de eleições seja melhor!

Anónimo disse...

E o Crato aqui tão perto ...

Eusébio Nunes disse...

Mas há lá quem possa duvidar que o Crato é um concelho muito melhor que o de Elvas?...
Basta meia-dúzia de nomes de artistas por ano, que aquilo é uma brutal qualidade de vida e um parque de infra-estruturas públicas enorme!
Viva o Crato. Mas se o Crato fosse em Elvas, seria bom é que fôssemos como... Elvas.
É. Alguns elvenses confundem objectividade e racionalsmo com partidarite doentia. E é pena.

Anónimo disse...

Uma pergunta. Porque é que não é a Confraria que paga os espectáculos? Com milhares e milhares de euros de lucro todos os anos o que é que eles fazem ao dinheiro? Dão a Deus?

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