edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 12.4.06
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A comunidade dominicana feminina estabeleceu-se em Elvas cerca de 1528, construindo aí um convento, próximo do centro dos poderes político, administrativo e religioso.
Apesar de funcionar desde a década de 20, só foi incorporada na Província em 1540, como atesta o Capítulo de Lisboa. Nesse mesmo ano deverá ter sido demolida a Ermida da Madalena (originalmente Templária). Em seu lugar julga-se ter sido construída, em 1543, a actual igreja de Nossa Senhora da Consolação, cujas obras terminaram cerca de 1557.

Em 1599 foi comprada uma parcela do terreno para a ampliação da Capela-mor da Sé.
Mais tarde, nos anos de 1659 e 1676 foram feitas obras na igreja – azulejo e pintura de brutesco, respectivamente.
Em 1722 dourou-se a capela do lado do Evangelho, conforme está na inscrição que nele se encontra.
Após a extinção das ordens religiosas, o convento foi deixado à acção do tempo e demolido em 1888, por questões urbanísticas.
Já no século XX foi classificada Monumento Nacional e sofreu, no decorrer do século, inúmeras intervenções por parte da DGEMN.
Destaca-se o portal da fachada principal, que se assemelha a outros portais do primeiro renascimento português, no Sul do país; de mármore, com arco de volta perfeita, enquadrado por um par de pilastras que suportam o entablamento, subrepojado por medalhão circular, com uma cruz florenciada de Avis (que pretendia representar o escudo das armas dominicanas). Nos cantos, dois bustos masculinos, com a representação do “Velho e do Novo”.
A simetria do edifício é descaracterizada pelos anexos e volumes irregulares que compõem as fachadas, fruto de consecutivas demolições que sofreu o convento no decorrer do século XIX.
Na cobertura, sobre o zimbório, destaca-se, no topo, o lanternim, centrado em relação à planta da igreja.
A sua planta é centralizada octogonal. O espaço interior é dividido em duas partes: o corpo central ou cruzeiro e o deambulatório, separados por oito colunas, uma em cada canto do octógono. Sobre o cruzeiro eleva-se o zimbório com cúpula imponente, de oito gomos e com entrada de luz zenital.
A galeria lateral – deambulatório – é coberta por abóbada de berço, que está a um nível inferior da do corpo central. As capelas encontram-se embutidas em três lados do octógono, formando uma cabeceira tripartida.
A capela-mor, a poente, é de planta rectangular e ligeiramente maior que as capelas que a ladeiam. As suas paredes são lisas, revestidas a azulejos azuis e amarelos de “tapete”; ao centro, um panejamento adamascado e, sobre a mesa do altar, a imagem do Senhor dos Aflitos e de um Pajem de S. Jorge. A cobertura é semi-esférica, dividida em cinco gomos, com decoração renascentista em estuque.
As duas capelas laterais são, de certa forma, idênticas: de planta reentrante e semi-cúpula dividida em cinco gomos. Em cada uma das capelas encontramos um retábulo em talha dourada, cujas especificidades, como os motivos auriculares e concheados e as colunas torsas, os enquadram no Barroco Final, ou seja, nos primeiros 20 anos do século XVIII. Apesar de estas não serem as invocações originais, temos no lado do Evangelho Nossa Senhora da Consolação e, no lado da Epístola, S. Tomás de Aquino.

Das oito colunas, três são diferenciadas: duas com a pia de água benta, em mármore, e outra com o púlpito em ferro forjado, do século XVII.
A pintura de brutesco está presente nas colunas e capitéis com rótulos, fitas e grinaldas e. Na arquitrave acrescenta figurações zoomórifcas, querubins e cartelas com cenas da Bíblia, onde se destaca o Cordeiro Místico.
Os azulejos são de tapete, com laçarias e rosas dispostas de formas diferentes. Na cúpula encontramos um painel com as armas da Ordem de São Domingos.
Como podemos constatar, a igreja que hoje conhecemos não é a original, de pedra e cal. É, isso sim, fruto das várias fases de adaptação de gosto e das concepções tipológicas e eucarísticas, no decorrer dos séculos XVI, XVII e XVIII.
São estas especificidades que tornam esta Igreja de Elvas um caso exemplar, onde vários “tempos” artísticos se mesclam de forma quase perfeita, onde as partes fazem parte de um todo que lhe confere um carácter místico e celeste e que leva, por sua vez, a que seja considerada numa das mais belas jóias da Península Ibérica.
Texto enviado por Rita Vivas.
Veja aqui o filme resultado deste trabalho académico

2 comentários:

Pedro Gama disse...

Caro Zé de Mello. Desejo-lhe uma Santa Páscoa e a todos aqueles que visitam este seu blog... não sei se regresso depois da Páscoa. (Isto é, não sei se regresso aqui aos comentários do blog. Porque a Elvas regresso de certeza... durante muito tempo se Deus quiser)

OJ disse...

Também aproveito este espaço para desejar uma boa Páscoa.

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