edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 14.9.05
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Anuncia-se para sexta-feira a inauguração da intervenção na Fonte de São Lourenço em pleno coração do burgo. Pelos vistos o Regedor conseguiu negociar a compra das 4 estátuas barrocas que inicialmente foram mandadas construir para esta fonte, e, que devido a jogos de poder da altura nunca chegaram a ser colocadas no seu devido lugar.
No local onde hoje encontramos esta Fonte inacabada, haveria uma outra do período da inauguração do Aqueduto da Amoreira, integrando o sistema de distribuição pública de água na cidade, sendo no sec. XVIII aprovado pela Câmara substitui-la por outra mais magestosa. Era então Regedor do Municipio o Desembargador Bernardes Xavier de Barbosa Lachette que querendo perpetuar o seu nome na cidade (não havia então tecnologia suficiente para fazer parques subterâneos!!) encarregou a obra a Valleré, que se encontrava em Elvas dirigindo as obras do Forte da Graça.
O esboço desta Fonte Monumental inspirado no barroco francês consistia num pequeno tanque encimado por quatro colunas sobre as quais repousariam quatro divindades clássicas, tendo ao centro uma outra de grande dimensão representanto Astréia, deusa Greca da Justiça e da Paz.
Esta obra não chegou a ser finalizada devido a um conflito que opos o Regedor de então e o engenheiro francês encarregado da obra e que fez com que esta Fonte continua-se por completar até aos dias de hoje.
Mais estranho é que esta Fonte não tem qualquer protecção especial, nem sequer está classificada como de Interesse Municipal, e, pela sua ligação a duas obras excepcionais de Elvas , o Aqueduto e o Forte de Lippe/Graça merecia estar salvaguardada. Mais, não conheço em Portugal outra obra que utilize este tipo de colunas, tão em voga no barroco francês. Não seria oportuna sua classificação?!
E não seria interessante, mesmo em ano de sequia, aproveitar e colocá-las com a sua função original, isto é, que brotem água. Nem que seja pela utilização de uma bomba e com a utilização continua mesma água? A Fonte da Misericórdia também!
Quanto ao resultado final desta intervenção aguardamos para ver!
<--Fonte que julgo ser a primitiva e que se encontra na Quinta de Sto. António, Barbacena, Elvas
São estas as estátuas que assumem o seu lugar natural e que se encontravam também na Qta. Sto. António ->

5 comentários:

Rui Jesuino disse...

A fonte de São Lourenço foi mandada construir na segunda metade do séc. XVIII pelo desembargador Bernardo Xavier de Barbosa Sachetti ao engenheiro militar francês Valleré que na altura trabalhava nas obras do Forte de N. Sra. da Graça, no local onde já existia uma outra Fonte de São Lourenço, esta seiscentista (1626) e que foi deslocada para a Quinta de Sto. António nos arredores da cidade.
O seu projecto de construção era grandioso e caro tal como queria Sachetti, e Valleré influenciado pela "art classique" francesa ali começa a construir uma fonte sobre a qual se deveriam colocar três estátuas de figuras femininas da mitologia greco-romana, cujo valor ascenderia a 2:000$000 reis. Mas tal facto não veio a acontecer. O projecto suscitou polémica e um grave desentendimento entre Valleré e Sachetti o que levou a que a fonte nunca fosse terminada. As estátuas que serviriam a fonte quedaram-se na referida Quinta de Sto. António.
A fonte de São Lourenço é constituída por três chafarizes que fazem a água correr para um tanque rectangular, tudo encimado por quatro colunas entrecortadas por paralelepípedos que no seu cimo deveriam ter as estátuas referidas. Ao centro um pedestal circular que serviria para levar a quinta estátua está neste momento ocupado por uma espécie de vaso. De facto trata-se de uma construção interessante e que interessa recuperar como a edilidade o está a fazer. Talvez a classificação como Imóvel de Interesse Concelhio venha depois, mas o que me parece mais problemático é o estacionamento selvagem na Rua de São Lourenço que retira toda a beleza não só à fonte, como ao fundo à pequena igreja.

Ze de Mello disse...

Talvés retirar o jarrão central e coloca-lo em frente da Fonte impedindo o estacionamento?!

Ze de Mello disse...

Caro Conselheiro Jesuino queira esclarecer-me:
Lachette ou Sachetti!?
Qual dos dois tem as fontes erradas?

Rui Jesuino disse...

Bernardo Xavier de Barbosa Sachetti, cavaleiro da Ordem de Cristo e desembargador em Elvas. Casado em 1755 com Maria Teresa Claudina da Purificação. Era filho de João Mendes Sachetti Barbosa e de Maria Rita Telo. Teve como descendente Maria Bebiana Sachetti (1782-1854). :)

Ze de Mello disse...

Caro Conselheiro Jesuino tenho em V. Exa. um magnifico ponto e companheiro.
Publicamente as minhas desculpas pela informação errada escrita neste meu édito.
Bem Hajam!

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