
"Estamos em Santa Eulália, uma das sete freguesias rurais do concelho de Elvas. Como as restantes (11 no total, contando as da cidade), a aldeia guarda em pedra o périplo de inaugurações do presidente da autarquia. Já lá vão muitos anos - 14 - que o socialista José António Rondão de Almeida lidera a câmara elvense. O que é o mesmo que dizer que já lá vão muitas inaugurações. E neste concelho alentejano isso é sinónimo de placa evocativa. Os habitantes falam em dezenas. O próprio Rondão de Almeida não faz por menos e fala em centenas. Com orgulho e sem ver razão para que alguém se admire: "É muito bom sinal haver placas por todo o lado com o meu nome, como entidade que o fez. É porque há obra. E qual é a obra que não tem uma placa a marcar a inauguração?!".
Nem toda a gente concorda. "Elvas bem podia deixar de se chamar Elvas", diz João Picado, militar reformado: "Não sou a favor nem contra o presidente. Ele tem feito muitas coisas, mas é a obrigação dele, é a obrigação de qualquer autarca."
Vasco Pulido Valente, numa crónica no Público, chamou-lhe em tempos a Rondónia. É que, placas de inauguração à parte, Rondão de Almeida também faz parte da toponímia - dá nome à avenida de Santa Eulália e a uma das urbanizações da freguesia -, e a alguns equipamentos do concelho. Um lar em Vila Fernando, um parque subterrâneo no centro histórico de Elvas e o mais monumental dos novos edifícios da cidade: o coliseu Rondão de Almeida. "Deviam era homenagear pessoas da história de Elvas", concordam Sandra Silva e Elizabete Maurício, duas jovens elvenses. "Não acho nem bem nem mal, isso vai do critério dele", diz por sua vez Francisco Valentim.
Rondão de Almeida diz que não, que não foi e não é do seu critério. Que durante três mandatos, e apesar dos pedidos, não consentiu que se pusesse o seu nome onde quer que fosse. Depois, abriu um precedente. "Em Santa Eulália pediram para pôr o meu nome numa avenida, dizendo que tinham a tradição de pôr nomes de presidentes. Pensei: 'não deixa de ter algum jeito'. Abriu-se assim o precedente. Depois, Vila Fernando também pediu". Argumenta que já não podia dizer que não: "Entre as aldeias do concelho há uma grande rivalidade."
Um "rondosismo completo"
Um "pecadilho" será a forma de resumir como os elvenses, mesmo os mais críticos, olham para tanta profusão de citações do nome do presidente da câmara. A avaliação da acção do autarca parece roçar o unanimismo. "Tem sido um presidente que tem auxiliado as pessoas", diz Paula Garriapa, 41 anos, habitante de Santa Eulália. "Antes estava tudo escavacado, agora as ruas estão arranjadinhas", corrobora Francisco José Badalo, 72 anos, de Vila Fernando, que diz votar em Rondão de Almeida "desde sempre". "A cidade melhorou bastante", "nota-se muito a diferença", sublinham também Sandra e Elizabete.
Ouça-se então a oposição elvense, pela voz de Eurico Candeias, do PSD, vereador sem pelouro no município: "Fez coisas que mais nenhum Executivo fez. É um trabalhador nato e quando pensa executar uma obra, faz. É um homem com coragem política." Um discurso muito diferente das guerras de comunicados e conferências de imprensa que em tempos manteve com o presidente da câmara. O social-democrata faz um resignado encolher de ombros - "O povo gosta dele, dá-lhe uma grande maioria, até demais, a oposição fica sem voz... Até a direita vota nele... Isto é um rondosismo completo".
Que se explica como? A resposta do próprio Rondão de Almeida é um desfilar de obras e programas: "Hoje, o concelho de Elvas tem 16 polidesportivos, estádios de futebol e de atletismo, piscinas, museus, lares e centros de dia em todas as freguesias, é um concelho que ocupa todos os jovens que estão desempregados, que tem o cartão da Idade de Ouro" para os mais velhos. E excursões patrocinadas pela câmara a Fátima, à Batalha e a Braga. E jantares anuais, mais o jantar de Natal para maiores de 60. Rondão de Almeida usa a expressão "as minhas obras", invoca-as como a razão para votações na ordem dos 60 a 70% que tem registado em sucessivas eleições autárquicas. Mas garante que não gosta de unanimismos: "Fico satisfeito por, de quando em quando, encontrar uma pessoa que me olha de lado."
"Não têm aqui um presidente, mas um colega"

"Vaidoso, eu?! Só se for porque gosto de vestir um casaco amarelo de vez em quando!" O presidente da Câmara de Elvas não gosta do tema de dar o nome a equipamentos e marcar cada inauguração com uma placa. Diz que é coisa "dos de Lisboa" e dos media. Que registar as inaugurações é "normal" e faz-se em todo o País. E já quanto a dar título a obras, afirma que não o consentiu durante três mandatos, até ter aberto um precedente que depois se repetiu. Sempre a pedido - "Não fui eu que quis dar o meu nome aos equipamentos."
No PS é tido como um autarca- -modelo, Vasco Pulido Valente apontou-o como um exemplo de narcisismo no poder local. Responde que não lhe cabe comentar a primeira. Da segunda, que lhe rendeu "uns votos", "as pessoas daqui não gostaram". Ao que acrescenta um decidido "nós é que sabemos."
José António Rondão de Almeida nasceu em Elvas há 64 anos. Ainda muito jovem sofreu um acidente grave. Diz que lhe deu resistência: "Quem atura dois anos numa cama, engessado, atura muita coisa. Tenho uma capa de gesso grande em cima de mim."
Com o 12.º ano, fez carreira na administração pública. Reformou--se no início dos anos 90, voltou a Elvas e candidatou-se à câmara, ganhando a autarquia ao PSD. Primeira tarefa: resolver a dívida da autarquia. A oposição sustenta que o conseguiu. "Em termos de gestão financeira é uma pessoa que controla muito bem os dinheiros públicos e que aproveitou bem os fundos europeus. Elvas deve ser das poucas câmaras do País que têm dinheiro a prazo, está nas actas, uns cinco milhões de euros", diz Eurico Candeias, vereador do PSD.
Em Elvas há quem não queira falar ou dar o nome, argumentando que ali "quem não está com o presidente está contra ele". Rondão de Almeida rejeita. "Os munícipes não têm aqui um presidente, têm aqui um colega" - e tira do bolso um pequeno bloco de notas, onde vai apontando pedidos e sugestões dos eleitores que se lhe dirigem na rua."Simpático" ou "afável" são adjectivos que se repetem entre os habitantes da cidade. Quem já se cruzou com ele como adversário político destaca outra faceta: "Quem entre em guerra política com ele tem de ser para 'matar'. Se ele ficar só 'ferido', entra a 'matar' de volta."
Susete Francisco in Diário de Notícias .
A exposição pública do já anunciado candidato a Regedor nas próximas eleições autarquicas, principalmente através do seu blogue chegam agora às ameaças de morte. Afinal que democracia é esta? Não são as figuras públicas/politicas criticáveis? Não há limites na vida partidária? Os paparazzi dos comentários levarão à morte do jogo democratico na Cidade? Tenham juizo! Todos!
São mais de dois anos de permanência e actualização diária de conteúdos, permitindo aos cibernautas a utilização deste espaço para partilha de opiniões e ideias, que visam uma leitura da sociedade Elvense fora dos "medias" tradicionais e/ou dos boletins oficiais.
Hoje a proposta que deixamos aos visitantes e Conselheiros é uma colaboração na avaliação deste espaço. Porque este blogue deixou de ser um espaço de consumo restricto e se transformou naquilo que é hoje em dia, é imperativo saber ouvir as vossas opiniões sobre o mesmo. Não procurando narcisismos, mas sim uma visão mais alargado do que é o blogue hoje, de como o interpretam e o que esperam deste Velho Conselheiro os nossos leitores.
Contamos com todas as opiniões! Obrigado.
Teimosias à parte, o população do Concelho ficou a ganhar, pelos vistos o Palácio poupará alguns euros, e poderá ser que o Terminal passe finalmente a funcionar com normalidade e quem sabe se as carreiras urbanas não serão retomadas!
O Regedor decidiu e o Zé de Mello concorda!
Veja também o édito de 22 de Dezembro'05 - David e Golias
No caso do Alentejo deverão ser extintas as direcções distritais de Finanças de Beja e Portalegre e concentrados os serviços em Évora.Logo surgiu, em Beja, o líder distrital e deputado do PS e incansável defensor de todas as medidas do governo a afirmar que as coisas não se vão passar bem assim e que Beja ainda vai ganhar com a reorganização dos serviços.
Também há algum tempo atrás, o Governador Civil de Beja tinha uma argumentação semelhante, chegando a garantir que a Direcção Regional de Agricultura passaria de Évora, onde sempre esteve, para Beja.Mais tarde acabou por reconhecer que não seria assim, embora tenha continuado a prometer que Beja não ficaria a perder com aquela reorganização.
Será bom que os que acusam o PCP e as autarquias da CDU de serem responsáveis pelo atraso e desertificação do Alentejo, em geral, e de Beja, em particular, reflictam sobre as medidas de preparação para a regionalização que o PS e o governo que suporta estão a levar a cabo.Valerá a pena recordar quem, ao longo dos tempos, tem concentrado serviços da Administração Central em Évora, retirando competências ou extinguido mesmo serviços distritais em Beja e Portalegre.
Valerá ainda a pena apreciar as posições de resignação e acomodação dos paladinos da defesa do Baixo Alentejo, para se concluir se tal defesa é feita por convicção ou por oportunismo.Esta é a pior forma de fazer a regionalização. Regionalizar através da centralização, neste caso em Évora, de todos os serviços desconcentrados da Administração Central contribuirá para afastar ainda mais as pessoas deles e reduzir a sua eficiência.
Não é esta a regionalização que defendemos!A regionalização que queremos é a que seja feita através da descentralização de competências da Administração Central para as regiões administrativas a criar, com órgãos eleitos democraticamente e serviços estrategicamente distribuídos pelos seus principais centros urbanos.
A regionalização que queremos é a que respeite o princípio da subsidiariedade, tão propagandeado há uns anos atrás e hoje tão esquecido, através do qual os órgãos e serviços de nível superior só devem fazer o que os de nível inferior não puderem.A regionalização que queremos é a que contribua para o reforço do Poder Local democrático, no respeito por aquele princípio.
A regionalização que queremos é a que melhore, desburocratize e torne mais transparente o funcionamento da Administração Pública, a que a democratize e a aproxime mais dos cidadãos.A regionalização que queremos é a que traga menos encargos e maior controlo da Administração Pública para os cidadãos.
Mais do que o desenho físico das regiões é a sua estrutura orgânica, incluindo as competências, organização e funcionamento, que deve merecer a nossa atenção. É por ela, mais do que pelo território, que a regionalização contribuirá para os objectivos que atrás enunciámos.
in: Regionalização
Segundo o Palácio Digital os artistas serão:
- 20 Setembro - Dulce Guimarães
- 21 Setembro - Fados com D. Vicente da Câmara, Teresa Tapadas e José Gonçalez
- 22 Setembro - “4 Taste”
- 23 Setembro - “Sons Ibéricos”
- 24 Setembro - José Reza
- 25 Setembro - Ana
- 26 Setembro - Quinzinho de Portugal
- 27 Setembro - Fados com Lenita Gentil, António Zambujo e Ana Sofia Varela
- 28 Setembro - Micaela
- 29 Setembro - “Peste & Sida”
São vários os estilos que passarão pelo palco da Expo S. Mateus e para todos os gostos, mas apresenta-se um cartaz nada atractivo para trazer ao burgo romeiros da geração melódica. Com isto os Elvenses terão que fazer a sua romaria até Nisa, Alandroal ou ao Crato para assistirem a bons espectáculos. Novamente outras localidades ganham o protagonismo que em tempos teve o "nosso" S. Mateus. No Alandroal esteve recentemente Ana Moura, em Nisa apresentaram-se The Gift, Paulo Gonzo, Blasted Mecanism e Tony Carreira, enquanto no Crato, no Festival do Norte Alentejano, os Elvenses poderam ver os Vaya con Dios, Joanna, Rui Veloso e Mariza entre outros.
É este o preço que os Elvenses estão a pagar para que outras estruturas sejam apresentadas como exemplos de sucesso?
Uma das ideias de que se fala, e aqui fica o repto à Confraria e Palácio do Regedor, é a instalação de um Palco Jovem na zona dos bares, permitindo assim outro tipo de animação para o público jovem que: "não grama Morangadas mas curte Quinzinhos de Portugal e Quim's Barreiros". É assim tão caro trazer bandas de garagem e deslocar os Peste & Sida para este palco?
Os tempos são de modernidade, os públicos estão mais exigentes, sofisticados e sabem o que querem. Não apostar nos artistas é empobrecer a Feira, desprestigiar Elvas e condenar o S. Mateus a ser uma feira de 2ª categoria. A Maior Romaria do Alentejo já não é aqui!









