edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 29.8.07
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Às vezes, quando não se conhece bem o vizinho e ainda não há confiança, as visitas não passam além da porta. Com o tempo as pessoas conhecem o vizinho, têm confiança, e fazem visitas frequentemente. Passa o tempo e já se conhece a casa toda. E é que um dia já não se reparas naquela porta de entrada que foi o primeiro contacto com o vizinho.




Para os que amamos Portugal desde a Extremadura espanhola, Elvas foi e será a porta principal. A amizade com o vizinho fez com que aquela porta, tão admirada nos inícios, ficasse esquecida. É assim que um dia, ao voltar de uma viagem por Portugal, olhei o aqueduto e pensei: Se Elvas estivesse bem longe, talvez ficaríamos mais admirados pela beleza desta cidade. Mas como é tão perto, já nem damos conta do tesouro que temos. Por isso temos de reparar nas pequenas coisas que a familiaridade e a rotina fizeram perder o valor. Às vezes não vemos que é na porta de entrada onde encontramos o tesouro escondido.




Javier Figueiredo


edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 29.8.07


edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 28.8.07
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O Convento de São Domingos de Elvas foi fundado em 1267, por ordem de D. Afonso III, no local onde havia estado implantada até então a Ermida de Nossa Senhora dos Mártires. Edificado depois da segunda, e definitiva, reconquista da povoação fronteiriça alentejana, a acção régia de constituir uma comunidade dominicana prendia-se com uma vontade de alicerçar a fé cristã numa urbe que até então tinha sido regida por costumes e tradições muçulmanas. Depois da edificação do espaço conventual, a comunidade dominicana fundou no edifício uma albergaria e um hospício.


Do templo gótico mendicante pouco resta, datando do século XV as primeiras modificações da estrutura, com a construção da antiga ante-sacristia. A grande reforma estrutural do convento data do reinado de D. João III, que em 1553 ordenou profundas reformas no edifício, nomeadamente a demolição da fachada, embora esta só fosse terminada já no século XVII. Em meados de Seiscentos o hospício do convento foi deitado por terra, para que pudessem ser construídas as muralhas de defesa da vila. O programa decorativo do espaço interior foi alterado pela campanha barroca executada no século XVIII, nomeadamente com a edificação de novos altares, a decoração das paredes laterais do templo com silhares de azulejos ou a execução de novos capitéis para os pilares que marcam os tramos das naves.


De planta longitudinal, a Igreja de São Domingos é composta por três naves, transepto, capela-mor, ábside poligonal e quatro absidíolos, aos quais foram adossados a torre sineira, a sacristia e outras dependências. A fachada apresenta um modelo ecléctico, uma vez que possui uma estrutura claramente maneirista, que apresenta semelhanças com os colégios jesuítas edificados na segunda metade do século XVI, decorada com um programa já de gosto barroco, decorrente do facto de a fábrica de obras do frontispício se ter prolongado até meados da centúria de Seiscentos.


Do programa decorativo interior, destacam-se os retábulos barrocos de mármore, colocados lateralmente, os painéis de azulejos setecentistas com quadros da vida de São Domingos, e as pinturas renascentistas de motivos vegetalistas que decoram a cobertura da ábside. Há ainda a referir o antigo retábulo da capela-mor, uma composição maneirista da autoria de Simão Rodrigues, de "evidentes influências moralescas", executada cerca de 1595, que actualmente se encontram algumas peças na Igreja de S. Francisco no Cemitério local.

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 27.8.07
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A Diocese de Elvas foi criada por uma bula do Papa Pio V de 9 de Junho de 1570, a pedido de D. Sebastião, com territórios de Évora, Olivença, Campo Maior e Ouguela anexos à de Ceuta ficando sediada na cidade de Elvas e sufragânea da arquidiocese de Évora. Foi suprimida em 30 de Setembro de 1881, com a remodelação diocesana ordenada por Leão XIII na Bula "Gravissimum Christi". O seu território foi maioritariamente reintegrado na Arquidiocese de Évora (com excepção das freguesias de Degolados e Cabeço de Vide e do concelho de Alter do Chão, que passaram para a diocese de Portalegre).







Estes foram os Prelados que ocuparam a cadeira Episcopal de Elvas:







  1. António Mendes de Carvalho (1571-1591)

  2. António Matos de Noronha (1591-1610)

  3. Rui (Rodrigo) Pires da Veiga (1612-1616)

  4. Frei Lourenço de Távora (1617-1625)

  5. Sebastião de Matos de Noronha (1626-1636), também Arcebispo de Braga

  6. Manuel da Cunha (1638-1658)

  7. João de Melo (1671-1673)

  8. Alexandre da Silva Botelho (1673-1681)

  9. Frei Valério de São Raimundo (1683-1689)

  10. Jerónimo Soares (1690-1694)

  11. Bento de Beja Noronha (1694-1700)

  12. António Pereira da Silva (1701-1704)

  13. Nuno da Cunha e Ataíde (1705), eleito, não aceitou o cargo

  14. Pedro de Lencastre (1706-1713)

  15. Fernando de Faro (1714)

  16. João de Sousa de Castelo-Branco (1716-1728)

  17. Pedro de Villas-Boas e Sampaio (1734)

  18. Baltazar de Faria Villas-Boas (1743-1757)

  19. Lourenço de Lencastre (1759-1780) - Foi este o prelado quem encomendou o órgão

  20. João Teixeira de Carvalho (1780-1792)

  21. Frei Diogo de Jesus Jardim (1793-1796)

  22. José da Costa Torres (1796-1806)

  23. José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho (1806-1818)

  24. Frei Joaquim de Menezes e Ataíde (1820-1828)

  25. Frei Ângelo de Nossa Senhora da Boa-Morte (1832-1852)



A diocese esteve vaga entre 1852 e 1881.

Presentemente, o título de bispo titular de Elvas continua a ser usado por bispos auxiliares, à semelhança do que sucede com outras dioceses históricas de Portugal extintas:



  • André Jacquemin (1969-1970)

  • Raymond Joseph Louis Bouchex (1972-1978)

  • Armindo Lopes Coelho (1979-1982), depois bispo de Viana do Castelo e actual bispo do Porto

  • José Augusto Martins Fernandes Pedreira (1982-1997), actual bispo de Viana do Castelo

  • Tomás Pedro Barbosa da Silva Nunes (desde 1998), bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 24.8.07




edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 23.8.07
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Sob o título "Cartografía extremeña y portuguesa, siglos XVIII, XIX y XX", a Biblioteca de Extremadura, tem patente a colecção de mapas da Extremadura e Portugal. Entre estes históricos mapas, recentemente adquiridos pela Biblioteca de Extremadura, encontram-se, entre outras reliquias, o Mapa dos Reynos de Portugal e Algarbe, obra de 1762 de Rizzi Zannoni e Giovanni Antonio; o Atlas histórico, geográfico y estadístico de España y sus posesiones de ultramar de José Antonio Elías; os planos de Alexandre de Laborde, arqueólogo e embaixador de França em España em 1810.
A Exposição pode visitar-se de 2ª a 6ª feira, das 8H30 às 13H30 (hora portuguesa) na Biblioteca de Extremadura na Alcaçova de Badajoz.



edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 22.8.07
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Raro é o dia em que não ouve este Velho Conselheiro os lamentos quotidianos dos amigos de café, dos colegas de trabalho ou dos companheiros dos transportes. Todos nós nos queixamos do aumento do preço do pão, daquela dor de cabeça, do vizinho, etc.


Recentemente tropeçou o Zé de Mello num blogue que nos faz recentrar as nossas angustias e preocupações. Porque é de Elvas e porque é uma história de heroísmo e vida, convido-os a visitar o Alentejano Hemodializado.

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 21.8.07
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Tempos houve em que cada povoação tinha as suas próprias festas e romarias. No Alto Alentejo, sobressaía entre todas a Feira de São Mateus, em Elvas. O São Mateus de Elvas era até meados do século passado, uma das maiores festividades que os campomaiorenses celebravam. Poupava-se durante meses para se pode ir até à Feira d’Elvas por volta de 20 de Setembro.
Só os mais pobres, por falta de recursos, e os que cumpriam resguardo por luto ou por doença, ficavam. As carroças partiam uns dias antes ajoujadas de gente, de galinhas, de cabazes de comidas e de doçarias confeccionadas para a ocasião. Quem mais depressa chegasse, melhor lugar podia escolher para acampar nos olivais em volta do parque em que estaria montada a feira. Quem não podia ir de carroça, em caravana, ia a pé. Uma manta chegava para aconchego. Quanto ao resto, desde que houvesse dinheiro para a pinga e para o petisco, já se passava a contento.
Armados os acampamentos, gozava-se do descanso, da boa comida, da alegre convivência que a ocasião propiciava. De dia dormia-se muito e até tarde, por força de alguns excessos de bebida e porque as noites se prolongavam até de madrugada.

As noites eram para a maioria destes romeiros o melhor que a festa propiciava. Formavam-se grandes bailes de roda animados pelo cantar e dançar das “saias”. Havia disputas assanhadas, muitas vezes entre grupos de terras diferentes. Surgiam a “modas novas”. Quadras engenhosamente elaboradas ao longo do ano encontravam ali o terreiro adequado para a sua pública exibição.
O Senhor da Piedade,
Tem vinte e quatro janelas;
Quem me dera ser pombinha,
Para pousar numa delas.

As festas do São Mateus,
São as festas da cidade;
Quem me dera andar bailando,
No Senhor da Piedade.

Feira d’Elvas, Feira d’Elvas,
Feira d’Elvas da cidade;
Quem me dera estar bailando,
No Senhor da Piedade.


Francisco Galego

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 20.8.07
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Os coveiros do cemitério de Elvas vão ser os primeiros do País a receberem formação profissional, com recurso a aulas práticas e teóricas. O projecto inscreve-se nas várias valências disponibilizadas pelo futuro complexo funerário da cidade, cujas obras já arrancaram, e tem uma abrangência nacional com a criação da Escola de Operadores Cemiteriais, que disponibiliza ainda um curso de especialização em cremações.
O objectivo da Servilusa - empresa a quem foi concessionada a gestão do complexo funerário elvense, o primeiro do País - é acabar com as "posturas erradas" dos coveiros, como falarem ao telemóvel, fumarem ou não estarem devidamente fardados por ocasião do funeral.
"Vamos implementar um serviço mais humanista", justifica Paulo Carreira, representante da Servilusa, sendo que a formação tem uma duração prevista de três semanas para quem vai fazer funerais e de um mês para quem pretenda tirar a especialização em cremações. "Uma carência em Portugal", diz, numa altura em que cada vez que um forno crematório avaria no País - há apenas cinco - é preciso recorrer a técnicos estrangeiros para procederem à sua manutenção, o que chega a demorar uma semana.
Em ambos os casos as simulações vão juntar-se à parte teórica, com cortejos pelo cemitério de Elvas e cremações, tendo os cursos capacidade para receber até 20 pessoas. Paulo Carreira avança que irá ser realizado um convénio com a Associação Portuguesa dos Profissionais do Sector Funerário para serem também ministrados cursos de agente funerário para todo o País.
A escola é uma das inovações do complexo, que vai estar pronto no final do ano, após um investimento de 1,6 milhões de euros. Numa área de 1500 metros quadrados, sediada num terreno anexo ao cemitério, o edifício vai dispor de quatro salas de velação independentes, posto médico, área comercial com florista, marmorista e artigos religiosos, tendo ainda serviço gratuito de bar, além da capela, forno crematório, câmara frigorífica e pátio de cinzas.
in Diário de Noticias, 18 de Agosto'07

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 17.8.07
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Irrecusável o convite dirigido pelo administrador deste blogue (sempre seguido com muita atenção), ao Alandro al para que se pronuncie sobre Elvas.
È com muito prazer que o faço, não só por me considerar vizinho, pese embora nesta altura esteja um tanto afastado.





Falar de Elvas é ser transportado aos tempos de infância e adolescência.
Natural do Alandroal, desde menino vi Elvas, como a grande cidade, onde pelo menos, uma vez por ano, e durante uma semana era visita habitual.
Criado e educado no seio de uma família de lavradores, a Senhora Dona Antónia, era fiel devota do Senhor Jesus da Piedade, e sempre por altura do São Mateus, se partia no Trem e Churrião para uma semana de São Mateus. Recordo com nostalgia a Procissão, os Concertos e, o que na altura a todos deixava maravilhado: O Fogo de Artificio, considerado como o maior do Alentejo.
De tal maneira as Festas do São Mateus marcaram a minha meninice, que ainda hoje se tornou hábito uma visita por essa altura, onde juntando o útil ao agradável, e porque coincidem com os anos do meu progenitor se comemoram numa típica jantarada nas não menos típicas barracas de frangos assados. É uma tradição…

Elvas será sempre recordada como a Cidade do despertar da adolescência. Era para Elvas que se programavam as grandes "farras", se levava a "visita", se tentava "hablar" e conviver com "nuestros hermanos", se faziam as compras "mais arrojadas", e, enfim se dava o salto até Badajoz.


Não posso, nem devo esquecer, até para que se voltem a enveredar esforços nesse sentido, os anos em que o "Elvas" militou no escalão maior do nosso futebol. Fui sempre frequentador assíduo de quase todos os jogos e que me lembre a primeira vez em que desejei a derrota da Equipa de que desde pequenino me acostumei a apoiar.


Também no capítulo de amizades, de Elvas guardo boas recordações, a Família Caldeira, A Família Vinagre, o Bernardo, a Celeste e acima de todos a Família Ribeiro Canhão ( o António José) cujos ensinamentos na vida profissional, a conduta, a honestidade, ainda hoje faço questão de seguir.


A última vez que visitei Elvas foi pelo Carnaval. Cresceu, é verdade, mas a tipicidade do seu Centro manteve-se intacta. Continua a ser um deslumbramento passear pela "Corredora", sentir o "toque" alegre dos vizinhos Espanhóis.
Muitas novas infra-estruturas foram nascendo, graças ao dinamismo, do seu Presidente da Câmara, pessoa com quem ainda tive o privilégio de conviver, e, a quem se tem que reconhecer o mérito de tudo fazer para projectar o nome de Elvas e dar a conhecer que afinal o Alentejo não é o deserto que se apregoa.
Que se torne cada vez maior, pois que mais bonita do que o que já está é difícil
Até ao São Mateus… se Deus quiser.

Xico Manel



edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 16.8.07
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«CARO ZÉ, MAIS UMA VEZ LHE ENVIO ESTE EMAIL COM AS FOTOS ; SÃO FOTOS DE UM DOS MUITOS CÃES VADIOS QUE AQUI PARAM NO BAIRRO DE S. PEDRO ESTE EM CONCRETO ESTÁ AQUI JUNTO AO (...) NO BAIRRO DE SÃO PEDRO .
AS FOTOS DAS POIAS ERA PARA OFERECER AO SENHOR VEREADOR OU AO PRESIDENTE VISTO QUE AS COMPETÊNCIAS E RESPONSSABILIDADES SÃO DOS DOIS . EM RELAÇÃO AO ANIMAL AI NA FOTO É UM CÃO VÁDIO QUE ANDA POR AQUI COM MUITO MAU ASPECTO DE DOENTE COM CRIANÇAS POR AQUI JUNTO AO PRÉDIO ISTO É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA DAQUI ALERTO ÁS AUTORIDADES SANITÁRIAS QUE PASSEM AO FUNDO DO BAIRRO S PEDRO E REPAREM NÃO SÓ NESTE MAS EM MAIS UMA MEIA DUZIA DE ANIMAIS COMO ESTES ABANDONADOS ENTREGUES A SI MESMO , ONDE ESTÃO AS PESSOAS RESPONSÁVEIS PELA RECOLHA DESTES ANIMAIS? UNS COM ESGÂNA OUTROS COM SÁRNA E OUTROS CHEIOS DE FOME QUE SE ATIRAM A TUDO E A TODOS , PEÇO AO CARO ZÉ DE MELLO QUE PUBLIQUE ESTA VERGONHA E FALTA DE RESPEITO PELOS QUE AQUI VIVEM . OBRIGADO»

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 13.8.07
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O assunto do édito de hoje circulou, animadamente, pelo blogue por alturas da colocação das estátuas na Fonte de S. Lourenço. Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, voltamos ao tema.

Escrevia este Velho Conselheiro na altura: "Mais estranho é que esta Fonte não tem qualquer protecção especial, nem sequer está classificada como de Interesse Municipal, e, pela sua ligação a duas obras excepcionais de Elvas , o Aqueduto e o Forte de Lippe/Graça merecia estar salvaguardada. Mais, não conhece este Velho Conselheiro em Portugal outra obra que utilize este tipo de colunas, tão em voga no barroco francês. Não seria oportuna sua classificação?!
E não seria interessante, mesmo em ano de sequia, aproveitar e colocá-las com a sua função original, isto é, que brotem água. Nem que seja pela utilização de uma bomba e com a utilização continua mesma água? A Fonte da Misericórdia também!"


Depois de o Regedor ter dotado a Cidade e o seu centro histórico de outros espelhos de água e fonte monumentais e luminosas bem como outros pontos da geografia concelhia não seria de relativa facilidade dignificar as Fontes seculares de um sistema que possibilite o refrescante circular da água. Obviamente fica desde já solicitado ao Palácio do Regedor que providencie as respectivas placas com a informação de água imprópria para consumo!

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