edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 20.8.07
Etiquetas:

Os coveiros do cemitério de Elvas vão ser os primeiros do País a receberem formação profissional, com recurso a aulas práticas e teóricas. O projecto inscreve-se nas várias valências disponibilizadas pelo futuro complexo funerário da cidade, cujas obras já arrancaram, e tem uma abrangência nacional com a criação da Escola de Operadores Cemiteriais, que disponibiliza ainda um curso de especialização em cremações.
O objectivo da Servilusa - empresa a quem foi concessionada a gestão do complexo funerário elvense, o primeiro do País - é acabar com as "posturas erradas" dos coveiros, como falarem ao telemóvel, fumarem ou não estarem devidamente fardados por ocasião do funeral.
"Vamos implementar um serviço mais humanista", justifica Paulo Carreira, representante da Servilusa, sendo que a formação tem uma duração prevista de três semanas para quem vai fazer funerais e de um mês para quem pretenda tirar a especialização em cremações. "Uma carência em Portugal", diz, numa altura em que cada vez que um forno crematório avaria no País - há apenas cinco - é preciso recorrer a técnicos estrangeiros para procederem à sua manutenção, o que chega a demorar uma semana.
Em ambos os casos as simulações vão juntar-se à parte teórica, com cortejos pelo cemitério de Elvas e cremações, tendo os cursos capacidade para receber até 20 pessoas. Paulo Carreira avança que irá ser realizado um convénio com a Associação Portuguesa dos Profissionais do Sector Funerário para serem também ministrados cursos de agente funerário para todo o País.
A escola é uma das inovações do complexo, que vai estar pronto no final do ano, após um investimento de 1,6 milhões de euros. Numa área de 1500 metros quadrados, sediada num terreno anexo ao cemitério, o edifício vai dispor de quatro salas de velação independentes, posto médico, área comercial com florista, marmorista e artigos religiosos, tendo ainda serviço gratuito de bar, além da capela, forno crematório, câmara frigorífica e pátio de cinzas.
in Diário de Noticias, 18 de Agosto'07

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 17.8.07
Etiquetas:

Irrecusável o convite dirigido pelo administrador deste blogue (sempre seguido com muita atenção), ao Alandro al para que se pronuncie sobre Elvas.
È com muito prazer que o faço, não só por me considerar vizinho, pese embora nesta altura esteja um tanto afastado.





Falar de Elvas é ser transportado aos tempos de infância e adolescência.
Natural do Alandroal, desde menino vi Elvas, como a grande cidade, onde pelo menos, uma vez por ano, e durante uma semana era visita habitual.
Criado e educado no seio de uma família de lavradores, a Senhora Dona Antónia, era fiel devota do Senhor Jesus da Piedade, e sempre por altura do São Mateus, se partia no Trem e Churrião para uma semana de São Mateus. Recordo com nostalgia a Procissão, os Concertos e, o que na altura a todos deixava maravilhado: O Fogo de Artificio, considerado como o maior do Alentejo.
De tal maneira as Festas do São Mateus marcaram a minha meninice, que ainda hoje se tornou hábito uma visita por essa altura, onde juntando o útil ao agradável, e porque coincidem com os anos do meu progenitor se comemoram numa típica jantarada nas não menos típicas barracas de frangos assados. É uma tradição…

Elvas será sempre recordada como a Cidade do despertar da adolescência. Era para Elvas que se programavam as grandes "farras", se levava a "visita", se tentava "hablar" e conviver com "nuestros hermanos", se faziam as compras "mais arrojadas", e, enfim se dava o salto até Badajoz.


Não posso, nem devo esquecer, até para que se voltem a enveredar esforços nesse sentido, os anos em que o "Elvas" militou no escalão maior do nosso futebol. Fui sempre frequentador assíduo de quase todos os jogos e que me lembre a primeira vez em que desejei a derrota da Equipa de que desde pequenino me acostumei a apoiar.


Também no capítulo de amizades, de Elvas guardo boas recordações, a Família Caldeira, A Família Vinagre, o Bernardo, a Celeste e acima de todos a Família Ribeiro Canhão ( o António José) cujos ensinamentos na vida profissional, a conduta, a honestidade, ainda hoje faço questão de seguir.


A última vez que visitei Elvas foi pelo Carnaval. Cresceu, é verdade, mas a tipicidade do seu Centro manteve-se intacta. Continua a ser um deslumbramento passear pela "Corredora", sentir o "toque" alegre dos vizinhos Espanhóis.
Muitas novas infra-estruturas foram nascendo, graças ao dinamismo, do seu Presidente da Câmara, pessoa com quem ainda tive o privilégio de conviver, e, a quem se tem que reconhecer o mérito de tudo fazer para projectar o nome de Elvas e dar a conhecer que afinal o Alentejo não é o deserto que se apregoa.
Que se torne cada vez maior, pois que mais bonita do que o que já está é difícil
Até ao São Mateus… se Deus quiser.

Xico Manel



edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 16.8.07
Etiquetas:








«CARO ZÉ, MAIS UMA VEZ LHE ENVIO ESTE EMAIL COM AS FOTOS ; SÃO FOTOS DE UM DOS MUITOS CÃES VADIOS QUE AQUI PARAM NO BAIRRO DE S. PEDRO ESTE EM CONCRETO ESTÁ AQUI JUNTO AO (...) NO BAIRRO DE SÃO PEDRO .
AS FOTOS DAS POIAS ERA PARA OFERECER AO SENHOR VEREADOR OU AO PRESIDENTE VISTO QUE AS COMPETÊNCIAS E RESPONSSABILIDADES SÃO DOS DOIS . EM RELAÇÃO AO ANIMAL AI NA FOTO É UM CÃO VÁDIO QUE ANDA POR AQUI COM MUITO MAU ASPECTO DE DOENTE COM CRIANÇAS POR AQUI JUNTO AO PRÉDIO ISTO É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA DAQUI ALERTO ÁS AUTORIDADES SANITÁRIAS QUE PASSEM AO FUNDO DO BAIRRO S PEDRO E REPAREM NÃO SÓ NESTE MAS EM MAIS UMA MEIA DUZIA DE ANIMAIS COMO ESTES ABANDONADOS ENTREGUES A SI MESMO , ONDE ESTÃO AS PESSOAS RESPONSÁVEIS PELA RECOLHA DESTES ANIMAIS? UNS COM ESGÂNA OUTROS COM SÁRNA E OUTROS CHEIOS DE FOME QUE SE ATIRAM A TUDO E A TODOS , PEÇO AO CARO ZÉ DE MELLO QUE PUBLIQUE ESTA VERGONHA E FALTA DE RESPEITO PELOS QUE AQUI VIVEM . OBRIGADO»

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 13.8.07
Etiquetas:



O assunto do édito de hoje circulou, animadamente, pelo blogue por alturas da colocação das estátuas na Fonte de S. Lourenço. Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, voltamos ao tema.

Escrevia este Velho Conselheiro na altura: "Mais estranho é que esta Fonte não tem qualquer protecção especial, nem sequer está classificada como de Interesse Municipal, e, pela sua ligação a duas obras excepcionais de Elvas , o Aqueduto e o Forte de Lippe/Graça merecia estar salvaguardada. Mais, não conhece este Velho Conselheiro em Portugal outra obra que utilize este tipo de colunas, tão em voga no barroco francês. Não seria oportuna sua classificação?!
E não seria interessante, mesmo em ano de sequia, aproveitar e colocá-las com a sua função original, isto é, que brotem água. Nem que seja pela utilização de uma bomba e com a utilização continua mesma água? A Fonte da Misericórdia também!"


Depois de o Regedor ter dotado a Cidade e o seu centro histórico de outros espelhos de água e fonte monumentais e luminosas bem como outros pontos da geografia concelhia não seria de relativa facilidade dignificar as Fontes seculares de um sistema que possibilite o refrescante circular da água. Obviamente fica desde já solicitado ao Palácio do Regedor que providencie as respectivas placas com a informação de água imprópria para consumo!

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 10.8.07
Etiquetas:






Planta centralizante, composta por nave de planta circular, capela-mor e sacristia rectangulares e sala de arrumos. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura em cúpula e terraço e em telhado de uma água sobre o corpo lateral. Fachada principal a SE. com três panos divididos por pilastras lisas que partem do embasamento pintado de amarelo e terminam no remate; pano central com portal, fechado por grade de ferro, em arco de volta perfeita de mármore aparelhado decorado por colunelo que se prolonga em arquivolta, moldura pintada de amarelo e rematada por cornija; óculo oval sobre o portal enquadrado por moldura contracurvada encimada por volutas e motivos vegetalistas; remate com arquitrave, friso e cornija; platibanda encobrindo a cobertura com sineira ao centro, sobreelevada e com cruz no topo, duas pilastras lisas de cada lado encimadas por vasos. Pano da esquerda liso rematado por arquitrave, friso e cornija, pano da direita com porta em arco de volta perfeita com aparelho de mármore decorado por colunelo que continua em arquivolta. Fachada lateral NE. com corpo quadrangular adossado sobre o corpo circular central com embasamento, cunhais e remate pintados de amarelo e dois registos divididos por friso, o térreo liso, o superior com duas janelas. Fachada lateral SO. ondulada, com embasamento pintado de amarelo e três panos divididos pela articulação dos volumes: pano da esquerda, liso; pano central com uma janelas gradeado e pano da direita, liso; remate com cornija e platibanda. Fachada NO. com cunhal direito e embasamento pintados de amarelo e postigo com moldura pétrea; remate com cornija e platibanda.


INTERIOR: nave de planta circular coberta por cúpula decorada por quatro molduras de gesso; pavimento em xadrez com mármore preto e branco; porta de entrada em arco de volta perfeita sobrepujada por óculo oval de iluminação; parede rematada por sanca à altura do arranque da cobertura; banco corrido e silhar forrados de alcatifa azul; de cada lado pia de água benta em mármore, decorada com motivos concheados; do lado da Epístola porta em arco de volta perfeita de mármore entaipado pelo mesmo material. Arco triunfal de volta perfeita em alvenaria com fecho decorado a dourado assente sobre pilastras lisas com capitéis decorados com folhas de acanto douradas. Capela-mor rectangular coberta por abóbada de berço decorada com moldura branca sobre fundo castanho e medalhão com símbolos da Paixão de Cristo. Parede da Epístola com silhar forrado de alcatifa azul, porta para sacristia, varandim com balaustrada de madeira e sanca à altura do arranque da cobertura. Parede do Evangelho semelhante à do lado oposto mas com janelão rematado por cornija; pavimento de alcatifa azul. Retábulo-mor de alvenaria enquadrado por pilastras oblíquas marmoreadas; grande camarim, definido por moldura verde decorada com ramagens douradas, ocupado por cruz de madeira de grandes dimensões e pequeno Cristo. Sacristia de planta rectangular coberta por abóbada de arestas, que terminam em esferas nos cantos, assente sobre sanca saliente envolvente; pavimento de cimento. Parede SE. com porta para a rua, lavabo de mármore encaixado na parede, rematado por duas volutas e uma cruz de alvenaria; óculo oval de iluminação junto à cobertura; parede NE. cega; parede NO. com porta para sala de arrumos, parede SO. com porta para a capela-mor;. Sala de arrumos de planta rectangular coberta por abóbada de berço e pavimento de madeira; na parede SE. porta para sacristia e armário de parede; parede NE. cega; parede NO. com janela para a rua; parede SE. porta para o varandim, vão de acesso à cobertura e às escadas que conduzem ao piso superior da sala: este tem cobertura plana com arco de volta perfeita a meio.

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 9.8.07




O Palácio Digital continua a servir apenas como meio de propaganda. Hoje em dia os portais dos municípios oferecem aos cidadãos uma grande variedade de serviços, mas por cá para além de não disponibilizar as actas, éditais e demais legislação municipal, o simples papel informativo deste meio é desaproveitado! Veja-se o exemplo das "actividades" que não são actualizadas desde Maio!!

Será que estão todos os funcionários de férias ou estando o patrão fora é dia santo na loja?!

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 8.8.07
Etiquetas:


clique na imagem para ampliar!





edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 7.8.07





Permitam a este Velho Conselheiro utilizar esta expressão, mas a reabilitação urbana operada no Rossio de S. Francisco é a maior obra de intervenção na malha urbana de Elvas desde a abertura do Viaduto das Portas de Évora!


Alguns Velhos do Restelo têm criticado esta obra, mas tirando alguns pormenores de forma, a criação deste enorme espaço para usufruto das populações, e, a sua futura ligação ao Jardim das Laranjeiras e daí ao Jardim do Rossio, será o maior pulmão verde do burgo e um espaço que permitirá aos Elvenses a fruição de um verdadeiro parque urbano.


Há quem critique os candeeiros! Mas um traço de pós-modernidade industrial terá os seus encantos! Há quem critique a iluminação do espaço! Mas sem luz não há segurança! Há quem critique a ocultação dos "arcos" pela vegetação! Mas haverá jardins sem árvores!


Para o Zé de Mello a obra representa um novo espaço urbano na Cidade e muitos eventos poderão ali ter lugar.


Quanto à inauguração espera este Velho Conselheiro que seja antes do S. Mateus, senão não haverá agenda para tanta festança!

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 6.8.07
Etiquetas: ,


O Zé de Mello pode avançar com a informação que em Outubro, o Coliseu Cidade de Elvas vai acolher um Super Show de Wrestling em conjunto com a capital da Nação, apresentando algumas das maiores estrelas desta "modalidade" vinda dos EUA.

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 4.8.07
Etiquetas:


Pouco mais de um mês depois de este Velho Conselheiro ter aqui comentado o facto de ainda existirem no coração do burgo indicações referenciando o RI8 (ver aqui), estas já foram retiradas. Os cidadãos agradecem!

Já agora fica o pedido de as poucas indicações existentes sejam melhoradas. Existem placas que não são legíveis. Basta um pouco de tinta preta! Ficamos à espera!

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 3.8.07
Etiquetas:

Ingredientes:








  • 500g de feijão verde


Para o polme:









  • 100g de farinha




  • 1 ovo




  • 1 colher de sopa de cebola picada




  • Sal e pimenta


Preparação:





Retiram-se as pontas e os fios ao feijão verde e coze-se em água temperada com sal. Deita-se a farinha num recipiente e dissolve-se com água suficiente para obter um polme nem muito líquido nem muito espesso. Adiciona-se o ovo e a cebola muito bem picada e tempera-se com sal e pimenta. Passam-se as vagens de feijão, duas a duas, pelo polme, e fritam-se em óleo bem quente, até estarem douradas. Escorrem-se sobre papel absorvente.

edição:Velho Conselheiro Ze de Mello a 2.8.07
Etiquetas:


O Museu de Elvas

por Alexandre Pomar no seu blogue (link )



1 - Como passa uma colecção a museu? Uma pista para a resposta é a disponibilização de um edifício, o que legitima entretanto o nome. As ideias de sedimentação ao longo do tempo, de extensão e exaustividade, de escolha e representatividade são em grande medida dispensáveis, agora, por evolução recente das coisas. De excelência e excepção não se deve falar.O edifício tem de facto muitas qualidades. Fica no centro histórico, recupera o antigo hospital da Misericódia, é branco e amplo, sem ser demasiado grande. Aquirido em 2002 pela Câmara Municipal, com objectivo de ser transformado em instituição museológica, foi adaptado por uma equipa multidisciplinar constituida pelo arquitecto Pedro Reis e pelos designers Filipe Alarcão e Henrique Cayatte. Contou com os adequados fundos comunitários. ver site

2 - Há (mais) uma razão para ir a Elvas, ou passar por. Em Badajoz a colecção (MEIAC) é ibero-americana (estremenha, espanhola, portuguesa e latino-americana) e é moderna e contemporânea (com ilustres "extremenhos", como Timoteo Pérez Rubio!), mas tem uma dinâmica intermitente; em Malpartida, além da paisagem, há Vostell e artistas relacionados, cada vez menos contemporâneos como as histórias da transumância que são um dos momentos fortes da visita; em Cáceres, onde existe um precioso casco histórico, haverá a colecção internacional de Helga de Alvear. Não estamos na primeira linha, não nos enganemos. Aliás, a ideia de colecção (museu?) de arte contemporânea é um pouco esdrúxula, uma facilidade de linguagem. Pode vir a ser, com o tempo, continuando, fazendo escolhas, preenchendo lacunas, escondendo logros momentânos, revisitando curiosidades pontuais. Mas à partida é como uma biblioteca onde se juntassem só os novos livros que vão saindo. Aliás, só livros de novos autores e só portugueses.Por mais estimável que seja o propósito, um acervo de jovens artistas é uma colecção de promessas. Às vezes, talvez de achados, outras vezes de trabalhos de bons alunos. Está-se muitas vezes a confundir artistas com licenciados em arte... Museu é outra coisa. E a arte contemporânea é contemporânea por muito pouco tempo. Temos sido contemporâneos de muitas coisas diferentes e sucessivas. Iremos habituar-nos, também neste domínio, a usar e deitar fora? Coisas e pessoas.



3 - Abrindo como museu, o que se apresenta em Elvas é uma exposição, à qual se chama colecção: "Colecção António Cachola: Uma Colecção em Progresso – Parte I", no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, o MACE. Uma escolha da colecção, mas não, certamente, uma escolha só do melhor da colecção, para que outras obras se reservem para próximas remontagens.Como as palavras voam, um jornal, o Público (Ípsilon), podia pôr assim em destaque o acontecimento triplo (Museu, colecção, exposição): "Uma colecção que cumpre a função que mais nenhuma instituição nacional cumpre: mostrar a arte mais recente que se faz por cá". Julgar-se-ia que as galerias mostram em permanência e sucessivamente a arte mais recente, e que as instituições (museus, centros de arte) deveriam usar de alguma distância cronológica (mostrar o que importa rever, exercitando e pondo à prova a escolha do que mais importa) e também a distância geográfica (o que se faz lá fora agora, quando o mercado tem grandes carências logísticas). Mas o que mais fazem e têm feito quase sempre, quase todas as instituições, é mostrar a tal arte mais recente, a que circula nas galerias - por falta de meios para fazer melhor; por ambição dos seus directores actuarem sobre a dinâmica do mercado mais efémeramente actual, já que faltam condições para mais elevados desígnios. O Público, aliás, sempre que se referiu ao museu inaugurado no CCB chamou-lhe polémico e lembrava as amplas reservas de amplos sectores do nosso pequeno mundo (?) da arte. Elvas realizou-lhe as ambições e definiu-lhe os horizontes. Tudo em bastante pequeno.



4 - Colecção tem um diferente sentido quando é entendida como acervo pessoal, conjunto privado de obras, ou quando é projectada como acervo público, núcleo de peças em exposição pública. No segundo caso fica sujeita a um escrutínio que lhe exige um argumento específico, para além das acidentais circunstâncias das aquisições, e também uma estratégia de montagem, uma "lógica" que não seja só a resposta ao espaço disponível.Em Badajoz, em 1999, João Pinharanda usou no espaço vasto do MEIAC três tópicos de grande espectro para segmentar o itinerário, balizado por algumas compras que fez para a ocasião: imagens do corpo, as determinações do lugar, linguagem e decoração (esta seria uma abordagem irónica do que resta dos códigos modernistas). Em 2005, quando voltou a ser chamado para criar uma imagem pública para o coleccionador conforme com o que se julga ser um coleccionador, optou por uma distribuição aleatória.

A adaptação do hospital a lugar de exposições é limitada pela configuração das galerias, que são extensas em comprimento e não favorecem a aproximação frontal às obras, e em especial aos quadros - o caso mais óbvio é a pintura de João Jacinto, em especial quando fica sujeita à iluminação de um projector lateral.Como sucedia no Reina Sofia, outro hospital, a escultura tem uma presença mais confortável. No caso de Joana Vasconcelos, com A Noiva, montada na capela, entre azulejos quase profanos, e com Wash and Go à passagem. Ou a grande árvore de João Pedro Vale, A culpa não é minha, 2003. E Ângela Ferreira, Marquise, 1993, com os seus documentos fotográficos (e ainda sem demagogias políticas). Mas José Pedro Croft acentua uma direcção de trabalho que é só decorativa, escusada.

Na escadaria nobre, Jorge Molder, com três auto-retratos em sofrimento, deslocados nesse espaço de acolhimento (não de recolhimento), mais um desenho também a preto e branco de Pedro Calapez e em cima, elevada, a escultura negra de Rui Chafes - a única certa com o lugar. A cor seria bem vinda nesse espaço luminoso e Molder, que está muito bem no CCB-MCB, é excêntrico na colecção, atendendo ao seu horizonte cronológico, que cobre as aparições dos anos 80 (Sarmento estaria também fora, apesar de muito referido, talvez por hábito).

O acervo exposto e o conhecido regista, a partir do final dos anos 80, algumas das aparições dessa década, e faz algumas escolhas na seguinte - não recua a promoções anteriores (Sarmento, Calhau, José de Carvalho, Barrias, Graça Morais, Palolo) nem acolhe as mutações maiores desses anos, como Paula Rego, Dacosta, etc. O horizonte da colecção é estreito. Veremos com a continuação se a prática é a de pegar e largar, quando os artistas revelados nos 80 e 90 que se confirmam com a evolução do seu trabalho se tornam artistas caros, passando a outros sucessivos jovens e prometedores artistas, ou se a colecção se sedimenta e valoriza com obras que sejam a confirmação das carreiras. Mais uma vez, uma colecção de promessas será um museu de curiosidades rapidamente relegadas para o esquecimento.

Na dispersão das obras e dos artistas no itinerário expositivo há peças para diferentes critérios, peças que já consumiram a sua curiosidade inicial, peças que resistem, acertos e desacertos (a Ala Norte de Cabrita Reis, tem uns 11,6 metros que são excessivos para o espaço de que dispõe). É, em vez de um museu, mais do que uma colecção, uma mostra colectiva guiada pelo gosto do comissário, pelas suas afinidades e anteriores apostas. Fica a convicção que a montagem mais acertada mostraria em sucessivos núcleos as várias obras de alguns artistas (aqui aparecem em pontos diferentes, isoladamente). Menos artistas com mais obras cada. Esse é um dos méritos da colecção (ter acompanhado já alguns artistas em diferentes momentos). Mas essa montagem escolhida esgotaria talvez as disponibilidades do acervo.

Search