Uma eurocidade é uma cidade ou uma conurbação de duas ou mais cidades pré-existentes com actividade e população suficientes como para ser considerada elo europeu hegemónico em redes transeuropeias de transporte, comércio, investigação e desenvolvimento.
Hoje em dia existem na Europa uma Rede de 115 cidades que formam a Rede de Eurocities na qual se incluem Lisboa e Porto e as grandes cidades de Espanha. Esta associação está focada a reforçar os interesses locais dentro do contexto da União Europeia e é a única rede internacional que
representa as cidades europeias com unidade política face à União Europeia, recolhe ainda os interesses técnicos das cidades.
A configuração de políticas europeias, o intercâmbio de “boas práticas” entre os membros e o impulso de projectos comuns transfronteiriços fazem parte da importância inconfundível da rede.
Esta conurbação Elvas / Badajoz não pressupõe a unificação das duas cidades, mas sim a aliança em sectores determinantes como as infra-estruturas, transportes, cultura, educação, etc. de forma a poderem em conjunto desenvolver harmoniosamente os dois lados da raia, continuando a nível politico independentes. Para tal projecta-se a criação de um Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, que é uma sociedade reconhecida pelo Parlamento Europeu na seu Regulamento (CE) 1082/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de Julho de 2006, e onde devem tomar assento:
- Palácio do Regedor de Elvas
- Alcaldia de Badajoz
- Diputación de Badajoz
- Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo
- Junta de Extremadura
- Instituto Politécnico de Portalegre
- Universidade de Évora
- Universidad de Extremadura
- Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola
- Fundação Luso-espanhola
- Instituto Cervantes
- Instituto Camões
Na prática Elvas e Badajoz já vivem esta realidade com o intercâmbio comercial e pessoal existente entre as duas urbes, faltando o acordo escrito que ajude as instituições a se proverem de mais verba comunitárias e assim aprofundar a interligação e desenvolvimento comum.
Essa rede seria constituída por Badajoz, Ciudad Rodrigo, Tui, Olivença, Albuquerque e Valência de Alcântara do lado espanhol. De modo a que esta candidatura em rede tenha maior expressão existem contactos entre os representantes do ICOMOS espanhol e português, havendo desde já abertura para um trabalho a nível ibérico para levar a bom porto esta intenção.
Deste lado da raia as cidades a incluir neste projecto seriam Elvas, Almeida, Valença do Minho alargada ainda a Campo Maior, Estremoz, Évora, Vila Viçosa, Juromenha, Marvão e Castelo de Vide.
Elvas prepara-se assim para ser o motor desta rede transfronteiriça dado ser a única no lado luso a constar da Lista Indicativa havendo a possibilidade de numa próxima reunião da Comissão Nacional da Unesco ser reavaliada para integrar esta candidatura em rede.
Éditos antigos que continuam bem actuais:
05 de Dezembro de 2005
ZONA SUL
O tempo não me ajuda a sair fora de portas, mas depois de uma semana fechado dentro de museus, resolvi aproveitar o fim de semana e descer até aos novos bairros perifericos na zona sul.
Para um velho conselheiro e ex-ministro do reino que, segundo alguns, foi o pioneiro do planeamento urbano em Portugal, com obra que ainda hoje é exaltada, fiquei deveras surpreendido com a explosão de novas urbanizações que crescem nesta latitude da cidade: Urbanização da Quinta do Bispo, Urbanização do Parque da Piedade, Urbanização do Morgadinho, Urbanização da Carvalha.
Uma palavra especial para a Quinta do Bispo, lar de António Sardinha, que após estudos do IPPAR, obrigou à preservação da Casa Principal e de parte dos Jardins da Quinta, que segundo penso serão de dominio público (?). Se assim for parece-me o local ideal para aí localizar um equipamento cultural para esta zona sul, que se encontra em expansão, e assim dotar a maior freguesia urbana de um equipamento cultural fora de portas!
Também a nova urbanização a sul do Santuário da Piedade me pareceu limitar o espaço de expansão do Parque da Confraria, impossiblitando assim num futuro o aumento do terreno para a Romaria de S. Mateus, mas obviamente percebo as questões monetárias que levaram a mesma a vender aqueles olivais.
Mas o que mais me preocupa nesta nova centralidade é a falta ou fraca preocupação pelas vias de circulação e acessiblidades, veja-se o caos que se torna a Avenida Sanches Manuel, Rotunda do Bombeiro ou Avenida António Sardinha por volta das 9 horas!
Que solução? Estará pensado no plano de expansão uma circular sul a estas urbanizações? A construção é necessária mas as acessibilidades são essenciais! Não quero ser um velho do Restelo, mas preocupa-me e assusta-me o futuro congestionamento de vias já hoje saturadas.
Nos últimos anos definiram-se as zonas de estacionamento criando parques gratuítos nas zonas periféricas, por exemplo no fosso do baluarte do Principe, e colocaram-se parquimetros nas arterias mais centrais, de forma a provocar a rotação, disponibilizando esses lugares para aqueles que rumam ao Centro da Cidade procurando o comércio ou serviços aqui localizados. O principal arruamento comercial, Rua de Alcamim, foi completamente restringido ao trânsito automovel, passando assim a ser o único corredor pedonal na Zona Comercial do Centro. A criação recente do Parque de Estacionamento Subterrâneo, foi outra das medidas tomadas para possibilitar a visitantes e turístas um local central para estacionarem as suas viaturas. A delimitação das zonas pagas, que por agora se resumem ao Centro Histórico, provocou novas atitudes nos Elvenses residentes nas arterias principais, ao impossibilita-los de colocarem as suas viaturas próximas dos seus domicilios, ou a apenas o fazerem fora dos horários pagos provocando transtornos diários aos mesmos, sem que lhes tenham sido dada um lugar de residente, agravando deste modo a desertificação do burgo histórico, dado que hoje em dia os casais novos, que por vezes detêm duas viaturas, têm esse factor em conta aquando da procura de nova residência. Seria interessante para a Cidade de Elvas, que ao igual que acontece noutras paragens, houvesse uma política concertada entre o estacionamento e a rede de transportes colectivos, promovendo o seu uso e oferecendo aos Elvenses linhas e horários compatíveis com as suas necessidades. Uma articulação valída e real do problema da mobilidade em Elvas terá que passar pela oferta de serviços integrados e de gestão conjunta, subsidiando a receita do parqueamento os transportes colectivos.Quando despertei do meu sonho uma das coisas que mais admiração me causou foi a grande expansão que existia fora das muralhas, com centos de casas por todos os lados.
Com a abertura do Viaduto das Portas de Évora nos anos 50, começaram a crescer bairros rodeando o burgo e com eles aumentaram as pessoas que deixaram de estar em permanência dentro das muralhas para, ao seu interior, voltarem apenas para trabalhar ou ir "à cidade" resolver burocracias e ao comércio.
Hoje em dia, por inúmeras razões os centros históricos estão povoados de idosos, e, são cada vez mais as habitações encerradas, sendo que algumas em perigo de derrocada por falta de quem lhes faça a manutenção. Recordemos que o Regedor prometeu uma Sociedade de Reabilitação Urbana para Elvas, de forma a culmatar alguns dos problemas que vão atingindo o Centro Histórico.
O PDM de Elvas está ultrapassadíssimo e as novas urbanizações estão a levar algumas arterias de ligação Periferia / Centro Histórico ao colapso em horas de maior afluência. A Circular à Cidade facilita a circulação, mas com o tempo e os Planos de Urbanização futuros o problemas vai ser chegar a ela.
A utilização massíva de viaturas particulares e a inexistente rede de carreiras urbanas fazem com que o Centro Histórico lata hoje em dia ao ritmo dos motores. Para os mais idosos retiraram-se-lhes do burgo os centros hospitalares fazendo-os deslocarem-se a pé ou em taxi até à Fonte Nova ou ao Bairro de São Pedro. Aos jovens obrigar-se-lhes-á a conduzir após a deslocação da zona de bares para o Morgadinho, enquanto a Cidade-Jardim se vai afirmando como novo centro cívico e comercial da Cidade.
Que politica de mobilidade para Elvas? Que visão estratégica para o futuro do burgo? São necessárias medidas para que no futuro o Centro Histórico e a Cidade não necessitem de vibrilação?








