«Resido na cidade de Elvas há vinte anos. Assisti a todo o fervilhar do comércio local quando espanhóis faziam as suas compras no centro da cidade, e enchiam os restaurantes e cafés. Assisti ao declínio desse mesmo comércio, quando as fronteiras se abriram,e as diferenças se esbateram. Os portugueses passaram a gastar mais do outro lado da fronteira, e os espanhóis deixaram de encher as ruas de Elvas. Hoje emm dia a situação inverteu-se, e são os portugueses que enchem as ruas e o comércio de Badajoz. Para comprar roupa, produtos alimentares, assistir a cinema dobrado em castelhano, para comerem um hambúrguer, para encherem os depósitos dos seus carros e irem a aconsultas de médicos de alguma especialidade.
Que futuro querem os portugueses, em especial os elvenses para esta cidade? Será que existe uma ideia instalada de que se Badajoz se desenvolve e estamos aqui tão perto, valerá a pena incomodarmo-nos? É tão fácil ir ali ao outro lado e comprar o que quisermos ou precisarmos.
Badajoz tem tudo. Para quê ter esses mesmos recursos em Elvas? Para quê um melhor Hospital? Aqui ao lado têm um tão grande! O de Elvas vai fechar, o primeiro passo é o encerramento da Maternidade. A população assiste passivamente e ainda agradece.
Vai encerrar o Regimento de Infantaria nº 8. Excelente. Nunca mais haverão guerras. Elvas é um ponto estratégico e uma cidade militar há séculos. A isso deve o seu património, um conjunto fortificações e a muralha que rodeia a cidade, mas que pode prescindir de tudo isso porque um museu nas instalações do quartel é mais bonito mesmo que nunca tenha visitantes.
A Policia de Segurança Pública pode também fechar as instalações. A população é pouca, para quê polícia numa cidade, sede de concelho?
A minha sugestão é que se encerre a Câmara Municipal e que Elvas passe a ser Junta de Freguesia, pertencente a Portalegre, ou melhor a Badajoz. E que se faça uma petição para que Elvasdeixe de ser cidade e passe a ser aldeia. Ou um monte.
Parece-me ser este o objectivo dos governates.
Vem aí o TGV? Quando? E para quê? Quem vai lucrar com isso serão os espanhóis, que já estão a trabalhar para isso. Aqui só se fala e se espera. Elvas vive à espera de um D. Sebastião talvez. Passivamente. Caladinha, que assim é que é bonito. E... OLÉ!»
Carta publicada na edição de ontem do Linhas de Elvas assinada por N.M.S..





Como é que alguém que sai de Elvas para frequentar Engenharia Aeronáutica acaba como encenador de teatro?

