Mais uma vez este Velho Conselheiro tenta que este blogue tenha a maior diversidade possível, e assim, inicia hoje a publicação de respostas às suas curiosidades sobre vários elvenses notórios, emigrados, anónimos ou outros cuja opiniões queiram partilhar connosco. Esta iniciativa, que resulta da troca de correspondência electrónica, tem como estreante Cláudio Ramos, um africano de nascimento e elvense de adopção que hoje em dia chega a casa dos elvenses via SIC.

Continua a residir no concelho de Elvas ou já se mudou para Lisboa?
Passo a semana inteira em Lisboa e alguns fins-de-semana por força do trabalho, mas a minha base é em Vila Boim onde tenho família e onde construí a minha casa, onde, de resto faço questão de educar a minha filha e ver a terra crescer, viver histórias e desenvolver.
Que distancia existe entre a RR-Elvas, onde começou, e a SIC?
Uma distância enorme. Nunca me foi dado o valor profissional que tenho em nenhuma das estações de rádio por onde passei. Antes da RR-Elvas tive a possibilidade de colaborar com a extinta RDP – Elvas, onde fui muito mal tratado profissionalmente, porque não me reconheceram capacidades nem oportunidades me deram. O que consegui foi a pulso. É óbvio que um dia de trabalho na RR-Elvas não tem comparação com o de trabalho numa estação de televisão. O que gosto mesmo de fazer é televisão, é onde me sinto feliz e é para isso que trabalho diariamente para aprender muito e cada vez mais. Em Elvas, na rádio valia-me o apoio de quem me ouvia e gostava de mim, dos colegas e da enorme vontade de se fazer sempre bem, mesmo remando com pouco dinheiro e falta de meios. Em termos profissionais, entrego-me de igual forma ás duas tarefas. O que faço, faço questão de fazer bem.
Entre o croquete e o espumante barato, o saldo de amigos é favorável ou colheu mais inimigos no “social”?
Não tenho amigos no mundo da televisão. Tenho gente de quem gosto, e uma ou duas pessoas em quem posso realmente confiar. Nesse aspecto a minha vida não mudou. Os meus amigos de sempre – poucos, por sinal – estão no Alentejo. São os que me conhecem e me tratam por Cláudio.
É talvez uma das figuras mais polémicas da TV lusa, é esse o Cláudio Ramos ou é apenas a personagem de um actor?
O que eu não gostaria de ser era uma figura indiferente. Não acho que deva passar pela vida dessa forma. Se me perguntar se esta era a imagem que eu gostaria de ter, não lhe vou mentir, e seria mais gratificante se as pessoas me achassem simpático no lugar de arrogante, simpático no de antipático… mas nada na vida é como nós queremos, comigo não seria diferente. Ninguém é como os outros o julgam, nem mesmo – muitas vezes – como nos julgamos nós.
Sendo um homem da imagem que faz falta para que a marca “Elvas” deixe de estar associada ao Processo Casa Pia e passe a significar Turismo Cultural?
Não acredito que a imagem de Elvas esteja ligada a esse processo. É um caso isolado que se vai resolver na justiça como acontece em milhares de outros lugares. Acho que Elvas precisa obviamente apostar mais na divulgação nacional da sua cidade, porque ela tem bastantes atractivos e actividades, que por vezes pecam apenas e só, pela pouca promoção. A promoção por si só não resulta, tem que ser bem feita e no alvo certo.
Tem uma filha, dois livros publicados e pressuponho que já tenha plantado uma árvore. Que lhe falta alcançar?
Mais dois livros que estão quase prontos. Um infantil e um outro romance. Falta-me fazer muita coisa, quase tudo e cada dia que passa tenho a noção de que me falta ainda mais e que em 33 anos fiz muito pouco daquilo que poderia ter feito. Raiano por adopção, entre a Hola! E a Caras fica com…. A Caras que é Portuguesa e a directora é irmão de uma grande amiga minha J Além disso é portuguesa e, tal como amo apaixonadamente o Alentejo, sou português em demasia para trocar uma açorda por um arroz à valenciana. Que separa a “Tertúlia Cor-de-rosa” dos programas do coração das Televisões Espanholas? Nada. Apenas, que em Espanha este tipo de programas são sustentados por uma enorme industria. Que só agora começa a ser conhecida em Portugal. Nós somos pioneiros numa coisa em Portugal, que em Espanha se faz há décadas. É como comparar as novelas da Globo com as da NBP. Escreveu em tempos: “No Alentejo e na minha Vila Boim, tenho tudo o que preciso... só me falta uma estação de televisão para seguir carreira :)”. Agora que Elvas se prepara para ser servida por televisão por cabo, é esta a oportunidade para um canal local ou estamos condenados a ser servidos pela Localia, TeleFrontera e Canal Extremadura? Preciso fazer o que me dê prazer e ganhar dinheiro com isso. Sofro copiosamente por estar longe do meu habitat natural, mas seis que por muita televisão por cabo que Elvas tenha, não tem o dinheiro que preciso para viver. Além disso tudo é muito complicado. Já tive um convite para trabalhar numa estação em Badajoz. Mas chega a uma altura em que não se pode trabalhar só por prazer, o dinheiro faz-me falta. Sendo eu quem sou, não faz sentido pagar para fazer rádio – como me pediram quando sugeri uma colaboração, na altura me que tive que me vir embora – só na cabeça de gente pequena que não tem a mais pequena noção do valor de mercado.Se tivesse que escolher como “décor” um monumento elvense qual seria e porque? Permita-me que escolha a praça de Vila Boim. Que me viu crescer e onde passei tão bons momentos. É linda. De todos os trabalhos já concluídos em Televisão qual o que lhe deu mais prazer fazer? Todos me deram um prazer especial, trabalhar com a Teresa Guilherme a fazer reportagens de exteriores para o Rosa Choque foi um dos que me deu mais prazer. Porque nesse papel, tinha uma função diferente da que tenho agora. Apresentar as “Noites Interactivas” na TV Cabo com a Luísa Castelo-branco também foi uma enorme mais valia. Gosto de tudo o que fiz até hoje, porque mesmo o que menos me agradou, serviu para eu crescer profissionalmente. Daqui a 10 anos a sua filha vai chegar a casa e vai dizer: “Pai, Elvas é…..”
A minha cidade!