
Recentemente o jornal diário de Badajoz, Hoy, escrevia sobre o caminho que aquela cidade enfrenta para alcançar o "selo" de Património Mundial.

A 12 de Setembro'05 publicamos aqui os vários passos que um bem teria que percorrer para atingir a classificação de Património Mundial por parte da UNESCO. Vamos ver em que ponto deste caminho se encontram as Fortificações de Elvas.

Conforme as últimas declarações do Regedor ainda este mês será apresentado o dossier de candidatura que Portugal deverá entregar à UNESCO, propondo classifica-las como Património Mundial.
Este espaço único na malha das fortificações, que permitiu ao longo da última metade do sec. XX o usufruto do espaço dos fossos seiscentistas encontra-se num processo que o voltará a abrir às populações com "a cara lavada".
Num processo liderado pelo Palácio do Regedor, aproveitando programas estatais, o tradicional Jardim em breve estará à disposição dos Elvenses e forasteiros para de novo se constituir como parte integrante da Cidade e reforço da nova cara de Elvas face ao século XXI. Este será também uma mais valia no processo de alcançar o objectivo da classificação das muralhas de Elvas e suas obras militares como Património da Humanidade, dado ser essencial que o sitio a classificar seja de fruição pública.
Revelou também que, em data a anunciar, serão apresentados um livro e vídeo sobre as Fortificações de Elvas e sua história.
Façam dessa história um circuito e dêem a conhecer parte do que foi o tratamento dado aos militares que não concordavam com o antigo regime.
Sabemos que os trabalhos científicos e académicos podem encadear-se e prosseguir direcções diferentes e mais aprofundadas que uma primeira apreciação pode-se prever, mas deve o Regedor e a Vereadora uma explicação à população.
Afinal, Elvas tem ou não condições para apresentar a sua Candidatura à Unesco individualmente? Se as tem porque não foi ainda apresentada o trabalho da Comissão? Ou será que este tipo de candidaturas não interessa já à Unesco, e não somos capazes de criar a Rede Peninsular de Fortalezas Transfronteiriças para potenciar uma candidatura transnacional? Será que as novas linhas orientadoras da Unesco aprovadas em Janeiro'08 restringem a oportunidade das Fortificações Elvenses de conseguir tal galardão?

No en balde esas "fortificaciones abaluartadas de la raya" están incluidas en la lista indicativa del Patrimonio de la Humanidad, esperando la calificación definitiva de la UNESCO (para la que se precisa nuestra contribución, rehabilitando, acondicionando y dándole adecuado uso a los monumentos que corresponden).
Pero con ser diversas las poblaciones de la raya punteras en contenido patrimonial abaluartado, no más de media docena son las imprescindibles -por su riqueza y magestuosidad- para dar sentido a la candidatura y tener éxito; así: Valença do Minho en el norte portugués; Almeida y Ciudad Rodrigo al centro de la raya -de Portugal y España respectivamente-, y Elvas, Olivenza y Badajoz al sur.
Ahora bien, ninguna de estas localidades privilegiadas por su portentoso patrimonio militar de la Edad Moderna y comienzos de la Contemporánea -grandioso y hermoso en su conjunto e individualmente uno a uno- tiene la singularidad de Elvas y Badajoz. De ahí su responsabilidad en el liderazgo de la candidatura conjunta a Patrimonio de la Humanidad. A saber: no sólo conservan todo (en el caso de Elvas) o gran parte (en el de Badajoz) del amurallamiento abaluartado rodeando a sus cascos históricos sino son ambas únicas en conservar fuertes exteriores de defensa que resultan auténticas joyas del arte y la ingeniería militar.
Hace unos días visitaba con un grupo de profesores y alumnos universitarios de más de una docena de naciones europeas y americanas -invitados por las universidades de Extremadura y de Évora- ambos asentamientos, y recientemente con más de setenta personas convocadas por la Asociación "Amigos de Badajoz", que comprobaron, admirándose, la importancia de este legado, su autenticidad y singularidad, viendo con claridad lo justo y urgente de la candidatura. Justo, por su identidad artística sin igual y el estado de conservación adecuado, y urgente porque otros conjuntos similares -en Francia junto a Bélgica-Holanda, y Eslovaquia junto a Hungría- compiten con nosotros en la "carrera" por llegar los primeros en la presentación ante la UNESCO.
Insisto en el caso de Elvas y Badajoz. La primera no sólo tiene en buen estado de presentación sus murallas de la ciudad sino el Fuerte de Santa Lucía (hoy Museo Militar abierto), aunque deba hacer aún algo similar con el Fuerte da Graça. Badajoz, en cambio, necesita actuar sobre sus murallas urbanas, despejando lienzos de construcciones públicas prescindibles, y sobre todo rehabilitando el Fuerte de San Cristóbal y el Revellín de San Roque, que han de ponerse al uso como Museo de Historia de la Frontera y Centro de Interpretación, como tantas veces hemos reivindicado.
Este "Eje Patrimonial Badajoz-Elvas", sin igual, debe desempeñar ya, sin otra tardanza, la punta de lanza que nos lleve a la deseada calificación de la UNESCO, y en ello todos tenemos alguna responsabilidad: políticos, especialistas universitarios, investigadores, asociaciones culturales y cívicas, medios de comunicación, ciudadanos del entorno en general, etc., unos proponiendo, otros gestionando y negociando, y otros animando, presionando, apoyando, etc. Cualquier demora e indecisión hará que otros se nos adelanten y, con menos mérito, logren lo que nosotros, por nuestro patrimonio histórico y artístico, antes que nadie merecemos. http://www.extremaduraaldia.com/moises-cayetano/eje-patrimonial-badajoz-elvas/56621.html
É conhecida a vontade do Palácio do Regedor em que, ainda que avançando em primeiro lugar, a candidatura elvense seja integrada numa mais amplia que englobe as fortalezas raianas dos dois lados da fronteira. A lista indicativa espanhola já faz referência a esta possível candidatura, enquanto a lista lusa apenas considera Elvas.
Estão a ser mediadas as alterações necessárias a essa alteração, que não é referenciada pela directiva lusa da UNESCO? Que passo concretos tem desenvolvido o Palácio do Regedor para a constituição duma rede transnacional de Cidades Abaluartadas que vise esta candidatura? Estão reunidas as condições para a apresentação da candidatura elvense na Primavera conforme anunciado pela responsável autarquica pelo processo?
Ficam as dúvidas desde Velho Conselheiro para que quem de direito responda.
Estiveram presentes:
- Regedor,
- Elsa Grilo (Vereadora responsável pela Candidatura),
- Major General Adelino Matos Coelho (Director de História e Cultura Militar, do Estado-Maior do Exército),
- Nuno Oliveira (Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre),
- Luís Pino Lopes (Assessor da Direcção do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico),
- Alberto Marques (Director Coordenador do Desenvolvimento de Produtos e Destinos, do Turismo de Portugal, I.P.),
- Fernando Branco Correia (Investigador da Universidade de Évora),
- Duarte Ivo Cruz (Consultor da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal),
- José Nascimento (Director Regional de Cultura do Alentejo),
- Hugo Porto (Director de Serviços dos Bens Culturais da Direcção Regional de Cultura do Alentejo),
- Margarida Botto (Técnica Superior da Direcção Regional de Cultura do Alentejo),
- Comissão Técnico-Científica da Candidatura das Fortificações de Elvas a Património Mundial: Domingos Bucho (Coordenador), António Ventura, Luís Boavida Portugal, Mário Baptista e Raul Ladeira
Os 16 elementos que se sentaram à volta da mesa de trabalho tiveram oportunidade de se aperceber do andamento dos trabalhos de elaboração da candidatura, do valor e dimensão das Fortificações de Elvas quando comparadas com outras construções terrestres do género e das possibilidades de gestão de todas os edifícios envolvidos no conjunto patrimonial a candidatar.
Esta rede, que já consta na lista identificativa de Espanha, não existe em Portugal enquanto propósito do Governo da Nação, nem constitui ainda uma associação de municípios com esse objectivo nem do lado luso nem do lado espanhol. Assim, a apresentação da candidatura Elvense à UNESCO por parte do Governo Central não deverá ser realizada enquanto não for listada a Rede Portuguesa de Fortificações Abaluartadas. Elvas deverá ser a cabeça dessa rede internacional devendo desde já sensibilizar os municípios portugueses que poderão englobar esta rede, constituir uma associação para esse propósito, incentivar a realização dos mesmos passos do lado espanhol.
Se não for este o caminho a seguir uma apresentação solitária, na qual nem os mais altos representantes da candidatura acreditam poderá ser uma machadada na intenção do Palácio em concretizar este objectivo.
Elvas tem neste estabelecido dois acordos de geminação com as localidades vizinhas de Badajoz e Olivença, assinados nos anos 90 do século passado, sendo desde há anos solicitado pela comunidade Elvense residente em Ixelles (Bélgica) um acordo semelhante entre este município e a sua Cidade Natal.
A proposta que este Velho Conselheiro lança à discussão é a assinatura de um acordo de geminação entre Elvas e a capital de Malta. Esta geminação não teria por base a história comum, como acontece com Badajoz e Olivença, mas sim o património, a aliança estratégica e os frutos que Elvas poderia colher e partilhar com um dos portos de cruzeiros mais importantes do Mediteraneo e uma cidade capital europeia com um património fortificado muito semelhante ao elvense e também apreender o modo como esta gere o seu bem classificado.

O Palácio do Regedor e o Centro de História da Universidade de Lisboa organizaram, nos dias 21 e 22 do mês passado, a Cimeira Mundial de Especialistas em Arquitectura Militar Abaluartada. Foi uma iniciativa cultural de grande importância, porque a realidade do património monumental elvense foi observada e confirmada por um conjunto representativo de técnicos internacionais, especialistas nesta matéria.
Por outro lado, o conjunto de comunicações apresentado constituiu um contributo muito valioso, para o trabalho em curso de candidatura das Fortificações de Elvas a Património da Humanidade.
No fundo, confirmámos aquilo que está diariamente diante dos nossos olhos e que, por hábito, não valorizamos de maneira adequada: a arquitectura militar abaluartada elvense é valiosíssima. Mais do que isso: é única, em todo o mundo! De acordo com o estudo comparativo apresentado pela Câmara Municipal aos participantes desta cimeira, Elvas tem a maior fortificação terrestre do mundo, que chegou aos nossos dias praticamente intacta e em estado de conservação muito bom.
Pela forma como decorreram os dois dias de trabalhos, após a realização desta cimeira mundial, Elvas passou a figurar ainda com mais brilho entre as principais fortificações abaluartadas do mundo inteiro. Grandes especialistas internacionais na matéria estiveram entre nós, observaram, debateram e regressaram às suas proveniências na posse de informação futuramente muito valiosa para esta Cidade.
Elvas é, agora mais do que antes, um nome reconhecido entre os especialistas mundiais em arquitectura militar abaluartada.
Conclusões da cimeira

Os participantes na Cimeira Mundial de Especialistas em Fortificações Abaluartadas, realizada em Elvas nos dias 21 e 22 de Julho de 2007 apresentaram diversas comunicações às quais se seguiu debate, onde foram abordadas questões gerais relacionadas com metodologias e tipologias, bem como outras mais específicas sobre o caso de Elvas. Desse conjunto de intervenções ressaltaram os seguintes aspectos:
1º - O carácter singular das fortificações de Elvas, com destaque para o seu enquadramento natural e a relação com a cidade. Estudar uma fortificação implica estudar o território onde foi implantada, bem como a táctica, a estratégia e a logística a ela associadas.
2º- A existência não só das fortificações, num estado de conservação e de genuinidade invulgares, mas também de todo um conjunto de estruturas a elas associadas: sistemas de abastecimento de água, paióis, armazéns, quartéis e outros edifícios de função militar que completam e dão coerência às fortificações.
3º Elvas apresenta uma densidade cultural diversificada no que respeita a fortificações, documentadas materialmente desde o séc. X até ao séc. XX, o que é um caso raro.
A Cidade foi, pelo menos desde o séc. XVII, uma realidade civil/militar e essa dupla natureza marcou e caracterizou a sua evolução até aos nossos dias.
O contributo dos especialistas que participaram nesta cimeira, com as suas experiências e competências em diversos campos – Historiadores, Arquitectos, Engenheiros, Geógrafos, Militares, etc. – irá valorizar o dossier de candidatura das Fortificações de Elvas a Património Mundial.














